Fotografia da minha autoria

«Não tenha medo de falhar, tenho medo de não tentar»

Os pensamentos voam soltos, numa ânsia urgente de alcançar algum lugar que desconheço, mas a caneta nem sempre acompanha o seu ritmo intenso, frenético. Em surdina, vais-se manifestando a vontade de preencher os vários vazios de uma folha em branco, com todas as palavras que me saem da pele para o papel.

Escrever está-me no sangue, na alma e no dialeto que, por vezes, mantenho reservado dos demais. E a verdade é que me sinto muito mais feliz quando abro o caderno e deixo que a minha mão deambule livre, reproduzindo os fragmentos que idealizo mentalmente. Portanto, privilegio sempre uma rotina que me conceda espaço para usufruir desta arte que é o meu caos predileto; esta arte que rasuro, que abandono quando o texto não me serve os sonhos ou que coloco nas minhas gavetas, mantendo-a perto e disponível para ser revista.

Expor as minhas narrativas numa plataforma acabou por ser um pequeno salto de fé, porque, no fundo, estaria a abrir o meu coração - ainda que o público fosse reduzido. No entanto, sendo esta paixão tão forte, fez-me sentido diminuir os receios e avançar. Mas não deixa de ser curioso como, no que diz respeito à concretização do meu desejo mais antigo, a perspetiva mude, quase como se me habitassem personalidades antagónicas.

O meu manuscrito em construção evolui, aproxima-se do final e de tudo o que ambicionei [mesmo quando o caminho permanecia turvo]. Mas quais serão, então, os medos que me impedem de dar o passo seguinte?

 MEDO 1: A REJEIÇÃO 

A possibilidade de alguém não apreciar o que escrevo nunca me demoveu, confesso. Dentro de todos os cenários, acho que sempre lidei bem com essa possibilidade. No entanto... e se ninguém quiser publicar o meu livro? E se, afinal, não tiver assim tanta qualidade? E se estiver iludida em relação ao meu talento? Adorar escrever é ótimo e uma grande parte desta equação, mas não é suficiente para que este futuro seja exequível.

Contraponto: A rejeição faz parte do processo. Ademais, será o meu primeiro livro, não será perfeito e esse é o segredo. Porque terei outras ferramentas. Impedir-me de arriscar porque os «nãos» ou as ausências de resposta podem manifestar-se é limitar-me. Aliás, é ir de encontro a um pensamento que não tenho pudor em partilhar: escrever é o que faço de melhor. Portanto, lidar com rejeições não tem de ser o fim desta viagem.

 MEDO 2: NINGUÉM COMPRAR O LIVRO 

Imaginando que ultrapasso o primeiro medo e o manuscrito é publicado, preocupa-me que não chegue aos outros, que não seja apelativo o suficiente para que queiram abraçar um novo nome e ter um exemplar.

Contraponto: E se chegar? Aprender a questionar os dois lados da balança equilibra-me, até porque, assim, vou diminuindo o impacto destes receios paralisantes. Além disso, há outra questão que não deixo passar: eu vou querer publicar só para ter alguém que compre o livro [e, no fundo, para ganhar dinheiro com algo que me completa] ou vou querer publicar porque este amor pelas letras é tão maior? Ninguém quer lançar um livro e ter prejuízo ou sentir que não teve reconhecimento, mas também é crucial não perdermos o nosso propósito.

 MEDO 3: NÃO SABER QUE RUMO SEGUIR 

Sempre quis ser escritora, mas quanto mais me torno consciente de mim, mais procuro estar em sintonia com a obra que pretendo criar. Durante este processo criativo, tive medo de me afundar nas escolhas e de não ter espírito crítico suficiente para saber o que se mantém e o que é para descartar. Porque, por vezes, a vontade de mostrar trabalho é tanta, que acabamos por priorizar uma miscelânea sem sentido. E eu não quero isso.

Contraponto: Respeitar o nosso ritmo e não ter medo de demorar são aspetos fundamentais. Em primeiro lugar, devemos descobrir-nos enquanto potenciais autores, o resto virá por acréscimo. Colocar toda esta pressão nunca será benéfico e a verdade é que este caminho não tem de ser solitário, há quem nos auxilie.

 MEDO 4: NÃO SER RELEVANTE, NEM ORIGINAL 

Há perguntas que me vou colocando em surdina: quem és tu para querer publicar um livro? O que trarás de novo? Achas mesmo que trarás algum tema, um conceito que já não tenha sido explorado antes?

Contraponto: Quando começo a entrar nesta espiral, obrigo-me a parar e pergunto-me o que tenho a menos que os outros para não poder publicar um livro. Sendo o meu sonho, não faz sentido ignorá-lo, impedi-lo de crescer, porque ter um manuscrito meu é válido. Quanto à originalidade, há sempre maneiras distintas de explorar um mesmo assunto. Desde que se faça com honestidade e seriedade, tudo o resto é secundário.

 MEDO 5: O LANÇAMENTO DO LIVRO 

Falar em público causa-me ansiedade e deixa-me desconfortável, porque sempre detestei ser o centro das atenções. Escrever entusiasma-me de uma forma visceral, ser verbal sobre isso nem tanto. O que diria?

Contraponto: Um passo de cada vez. Primeiro, tenho de estruturar o meu livro, finalizá-lo e enviá-lo para editoras. Depois, penso neste contexto. E, além disso, se lá chegar, não ficarei presa àquele momento.

Este caminho transborda de avanços e recuos. Assim, para cada um dos meus medos tentarei ter sempre um contraponto, para que, mais tarde, não me desiluda por ter preferido desistir do que sair da minha bolha.