Faz hoje um mês que dezenas de pessoas foram assassinadas em Israel. Outras acabaram raptadas e delas quase nada se sabe ainda... crianças, homens, mulheres... pais e filhos, irmãos, namorados, amantes...
Um poema, não é muito, mas do pouco que posso fazer, aqui fica. Pelo menos, que as palavras possam dar algum ânimo (mesmo eu sabendo que estas nunca vão chegar aos verdadeiros destinatários) que seriam todos aqueles pais que os seus filhos perderam nos ataques do Hamas em Israel e que ainda não os têm de volta em seus braços.
Como seria?
Como seria se a música
Se pudesse ver no ar
Como seria se as mãos
Soubessem só abraçar?
Como seria se o vento
Molhasse as ondas do mar,
E a lua fosse quente
E a pudesses segurar?
Como seria se os canhões
Cuspissem cores e estrelas
E no chão aos trambolhões
Ríssemos a saltar sobre elas?
Como seria se o céu
Fosse de noite claridade
E toda a escuridão de breu
Nunca invadisse a cidade?
Seria assim tão diferente
Neste sonho perdido
Acordar, estar ciente
Neste mundo incompreendido.
Elsa Filipe, 2023