Ontem era um semáforo,

que as impedia de passar, 

luz vermelha que dali a nada

em verde se ia virar.

Ms hoje, o vermelho é sangue,

o verde já não brilha mais,

está tudo negro, caído,

e são tanques que as param nas ruas,

pedras, barreiras infernais.

Ontem, era a campainha da escola

que as fazia correr.

Hoje, a sirene que toca,

alerta-as para as bombas que caem,

mísseis que não poupam ninguém,

e que as obriga a esconder

se hoje não querem morrer.

Ontem, os pais chamavam

para a mesa, para jantar!

Hoje, os pais choram e gritam,

enquanto as balas silvam, 

as bombas caem e todos têm de correr

se a vida querem salvar.

Ontem era a escola,

uma boneca, um carrinho!

Uma canção infantil, 

um hino, uma melodia!

Hoje, da vida que sobra,

amanhá pode não haver sinais

nem menino, nem menina,

nem ninguém que conte a história

desta guerra nos jornais.

Elsa Filipe