Nas veias destes céus tão nevoento
Por onde havia o sangue das estrelas,
Agora só restou-me o desalento
Dos olhos que não podem mais querê-las;
A noite que me embaça na tristeza
Da etérea solitude dos meus sonhos
É o rosto desta escura profundeza
Que guarda meus desejos mais medonhos;
A vida que me ardia em fogo eterno
E dava-me a energia da existência,
Agora só possui a cor do inverno
Pintando-me em grilhões de sonolência;
Na estância deste mundo nebuloso
Que abrange a infinitude que observo,
Meu corpo já sucumbe ao frio gozo
Do gelo que imergiu todo o universo!
//Poema original de maio/2008, revisado