ALMA LUSITANA ◾ PERIFERIA, CATARINA COSTA
literatura distópica portuguesa, ficção especulativa contemporânea, narrativas de regimes totalitários, estética da clandestinidade
Fotografia da minha autoria«A vida de uma mulher num universo totalitário»Avisos de Conteúdo: Morte, Referência a DoençasO mundo pode ser um lugar desconhecido, com limites difíceis de traçar, sobretudo, quando não sabemos ao que vamos, quando não temos noção do chão que pisamos. Vagueando sem destino, procurando diminuir as atenções dos demais, há um instinto de sobrevivência que aparenta emergir. Assim é o livro de Catarina Costa.ENTRE O SILÊNCIO E A CLANDESTINIDADEPeriferia é um romance distópico, com uma temática de ficção especulativa a pautar a narrativa. Neste ambiente, que divide a sociedade em Pacientes e Não Pacientes, acompanhamos o quotidiano de uma mulher sem nome, que pertence ao primeiro grupo e que tenta permanecer oculta, de modo a mudar o seu destino.«A Periferia não fica nem perto nem longe, e penso que é essa a ideia que as autoridades querem sugerir»A tristeza dos acontecimentos, os silêncios desconfortáveis e uma certa clandestinidade fazem com que esta história tenha imenso potencial, no entanto, ficou aquém das minhas expectativas, porque não consegui relacionar-me com a personagem principal. Se, por um lado, achei interessantes alguns dos seus debates internos e comportamentos, por outro, o início demasiado lento e repetitivo criou uma distância entre nós.«Há um certo tipo de temor que está em todo o lado. Nenhuma casa é um refúgio completo»É evidente o ambiente opressivo e o medo de fazer algo que a denuncie. Apesar de me ter sentido a andar em círculo, também reconheço que a narrativa foi crescendo e que esta Periferia adquiriu um foco intrigante - com pena minha, algo tardio. Levando-nos para novos territórios, fiquei com mais perguntas do que respostas.Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥
Texto originalmente publicado em Entre Margens