Nunca me Esqueças de Lesley Pearse 

Edição/reimpressão: 2008 

Páginas: 432

Editor: Edições Asa 

Preço: 15,14 €

Não se deve julgar pelas aparências. Isto é válido para pessoas mas também para livros. Confesso que ao ler a sinopse deste livro e ao ver que era vendido dentro de saquinhos prateados (acho que agora já não...) só me ocorreu um pensamento: lamechice. É uma coisa que detesto. Ora, há uns tempos encontrei o dito na prateleira da minha irmã e decidi aventurar-me. Cheguei duas conclusões: é uma das histórias mais extraordinárias que já li. Não é lamechas.

Mary broad é uma camponesa analfabeta que decide deixar a sua terra, a Cornualha, e ir para Londres, mas é presa e condenada à forca por ter roubado um chapéu (a narrativa inicia-se em 1786. Era comum na altura mandarem pessoas para a forca por roubar uma empada). Mary acaba por ir para o degredo em vez de ir para a forca. O destino do seu exílio: Austrália, uma terra inóspita que ninguém ainda tinha pisado. 

É preciso ter estômago para ler este livro. A descrição da viagem até à colónia penal é de arrepiar (pensem num barco negreiro), a estada no novo território não é muito melhor (um calor tórrido, falta de comida, violência...). Decidida a não criar os filhos naquele ambiente, Mary vai protagonizar uma fuga que deixará o seu nome escrito na História, pois trata-se, efectivamente, de uma história verídica e, de uma maneira geral, a autora mantêm-se fiel à mesma. Não é um livro "levezinho" (a descrição do hospital na Batávia é dantesca).

Devo dizer que Nunca me Esqueças superou as minhas expectativas. A obstinação de Mary em nunca se render às adversidades, é absolutamente incrível. A sua luta prende-nos do principio ao fim da narrativa.

É definitivamente um livro a ler! e já sabem: desconfiem da sinopse. Quem escreveu deve ter lido o livro na diagonal ou achou que assim vendia mais (provavelmente acertou....).