Fotografia da minha autoria

«Talvez Cândida queira viver num mundo que já não existe»

Avisos de Conteúdo: Referência a Vícios e Morte

O meu caminho já se tinha cruzado com a Ana Gil Campos, na obra Lobos Sedentos da Respiração dos Dias, e reencontrei-a, graças à generosidade da autora, que me enviou um exemplar do seu anterior romance.

A CIDADE, A ALDEIA E TUDO O RESTO

Correria dos Pássaros Presos coloca-nos na rota de Cândida, que experiencia algo que a inquieta. Retratando «a vida de uma sociedade imaginada», é através das suas decisões que estabelecemos uma ponte entre a realidade e a ficção; é através das suas escolhas que compreendemos a epidemia virtual que se expande.

«Retirou-se do mundo virtual para estar mais presente na vida, 

na dela e na dos outros, mas aconteceu exatamente o contrário»

O tom descomplicado, mas com alguma ironia e subtis críticas sociais, mostra-nos a dependência das novas tecnologias e a dificuldade que o ser humano tem para criar laços fora de um ecrã. Se, por um lado, a evolução tecnológica é um marco importante, por outro, evidencia carências sociais gritantes, refletindo essa dicotomia.

«Compreendeu que aquilo que tanto procura nos outros é um sentido»

Houve aspetos que, ainda assim, não funcionaram para mim, porque gostava de os ver mais aprofundados, não só por acreditar que a narrativa ficasse com outro impacto, mas também para estabelecer uma maior relação emocional com as personagens. Não obstante, achei muito pertinente a quantidade de reflexões.

TRÊS REFLEXÕES QUE O LIVRO POTENCIA

1. A urgência de estarmos sempre online

Ativos nas redes socais, como se não pudéssemos desligar, como se tivéssemos de estar sempre envolvidos em tudo. Parece que, de repente, só somos socialmente aceites se tivermos uma presença online constante.

2. A falsa sensação de conhecermos o outro

Atendendo a que acompanhamos o que os outros partilham, temos esta utópica ideia de os conhecermos bem, de sabermos quais são os seus gostos, os seus dramas, os seus momentos felizes e os seus propósitos. E esquecemo-nos, tantas vezes, que apenas temos acesso a uma ínfima parte - selecionada - das suas vidas.

3. A solidão no meio de tanta gente

Quando a luz do telemóvel se apaga e não estamos atentos a números, fica um vazio. E, no meio de tanta gente, acabamos por sentir o peso da solidão, porque torna-se notória a dificuldade de comunicar cara a cara.

A pegada digital pode ser maravilhosa, quando gerida com equilíbrio: não precisamos de banir as redes por completo, nem de partilhar tudo ao segundo. Neste livro percebemos todos os malefícios dos extremismos.

🎧 Música para acompanhar: Olá Solidão, Os Quatro e Meia

Disponibilidade: Wook

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