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| Fotografia da minha autoria |
«Viver sem ler é perigoso»
A história termina. Fechamos o livro e observamos a nossa estante. O olhar vagueia pelas lombadas e pelos títulos que ocultam viagens sem igual. E, neste processo de reconhecimento e descoberta, procuramos o próximo companheiro literário. Mas como é que fazemos essa seleção?
Para mim, foi sempre um método bastante intuitivo. E descomplicado. Sobretudo, quando não privilegiava um ritmo de leitura regular. No entanto, assim que investi num compromisso sério com as letras, passei a estar mais consciente destes passos, até porque sinto que contribuem para traçarmos a nossa identidade. Porém, faço-o de uma maneira muito despojada, pois não quero acrescentar pressão a algo que pretendo que seja uma fonte de paz - mesmo quando as narrativas nos inquietam por dentro. Portanto, tento definir o meu percurso com equilíbrio.
📖 ORGANIZAR LEITURAS
O meu desafio literário é desenhado com um traço anual, uma vez que determino uma meta numérica - mas sem me deixar sucumbir por ela. Apesar disso, numa perspetiva mensal, é tudo muito mais orgânico, porque não tenho nenhuma linha estruturada. E, dificilmente, crio as famosas TBR [To Be Read], a não ser que abrace uma iniciativa específica - como a Alma Lusitana. Mas tenho um conjunto de estratégias para tornar a transição entre leituras bastante fluída.
Partindo desta perceção, será que há uma metodologia única? Será que existe uma maneira certa para o fazer? Honestamente, não creio. Porque continua a ser uma etapa pessoal e sempre dependente da nossa vontade. Do nosso estado de alma. E do propósito que pretendemos estabelecer.
📖 COMO ESCOLHO A PRÓXIMA LEITURA
Clubes de Leitura em 1º lugar
Só há dois anos é que comecei a participar em Clubes Literários. Contudo, estipulei que as duas primeiras leituras de cada mês seriam para responder ao tema proposto, uma vez que é o compromisso que me deixa mais confortável. Este ano, optei, ainda, por me juntar a outro desafio, por isso, há alturas em que acresce outra leitura prioritária. A parte maravilhosa destes clubes é que não há cobranças, nem exigências. Mas não gosto de falhar com os meus objetivos. Assim, faço por priorizá-los, até porque cresço imenso nesta envolvência.
Ouvir a nossa voz interior
Um aspeto que tenho sempre em consideração é o meu estado de espírito. E como é que isso se reflete na leitura? Simples. Porque seleciono obras que correspondam e/ou atenuem a minha [des]arrumação emocional. Desta forma, respeito sempre aquela voz que me guia para determinado título/autor. E, por vezes, não há propriamente uma razão profunda. E está tudo bem. Precisamos é de aprender a escutar o nosso instinto.
Variar géneros e autores
Tão depressa posso estar predisposta a ler vários livros seguidos do mesmo autor, como necessito de explorar outros nomes. Mas tento sempre diversificar os géneros literários, até para me proporcionar uma experiência literária mensal rica, distinta e preenchida. No entanto, se me apetecer passar um mês a ler só policias ou romances ou outro estilo qualquer não me inibo. E dou asas a essa vontade [reler tópico anterior]. Ainda para mais, porque esta transição não tem que ser inflexível. Simplesmente, na maior parte das vezes, faço por não ficar presa ao mesmo género/autor. E isso permite-me reduzir as opções.
Pedir ajuda/sugestões
Há ocasiões em que sinto uma certa indecisão entre dois títulos, logo, aproveito as redes sociais para encontrar algum auxílio. Recentemente, estava na dúvida se deveria escolher o Memorial do Convento [José Saramago] ou O Retorno [Dulce Maria Cardoso], porque quero ler ambos, mas não estava a conseguir escolher qual exploraria primeiro. E acho mesmo que é um método de seleção útil, principalmente, porque há sempre alguém predisposto a partilhar o seu ponto de vista, orientando-nos. No mesmo sentido, pedir sugestões pode ser uma alternativa agradável, pois possibilita-nos observar a nossa estante com outro cuidado [ou, então, dar asas à nossa lista de desejos].
Não pensar demasiado
Eu sei que este método parece muito organizado e, em parte, tento que seja. Mas privilegio muito o pensamento de não refeltir em demasia no assunto. Para que a experiência não seja condicionada. Para que a escolha não seja paralisante. E para que sobressaia aquilo que, para mim, é o mais importante: ler. Independentemente do caminho literário.
Como escolhem a vossa próxima leitura?
