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«Tenha sempre um livro ao alcance do seu tempo»

A poesia de uma lista literária a aumentar escreve-se por ela própria. Porque representa um mundo de infinitas - e encantadas - possibilidades. No entanto, também traz no regaço uma certa angústia, uma vez que, por maior que seja o nosso tempo, há obras que nunca chegaremos a descobrir. E qualquer leitor está ciente dessa condição. Mas o que é que podemos fazer quando temos demasiados livros por ler?

Esta questão surgiu em conversa com a Sofia - A Sofia World -, porque estamos conscientes da necessidade de priorizarmos os exemplares parados na estante/armário. No final de ano transato, comprometi-me a não adquirir mais livros, até reduzir bastante a lista em espera. Apesar de todas as campanhas promocionais tentadoras - que parecem ter triplicado, só para testar a minha resistência -, confesso que até se revelou um processo sereno. Por muito que adore acolher novas histórias, não me custou tanto como estava a prever. Porque foquei-me mesmo nas pequenas maravilhas que existem cá em casa, esperando a sua oportunidade para me conquistarem. Além disso, senti a urgência de abrandar, sobretudo, por não ser uma dinâmica rentável para as obras que, inevitavelmente, ficavam em segundo - ou terceiro - plano.

Com a lista a diminuir a um ritmo considerável, a motivação já não me permitia resvalar. Ainda assim, estava bastante expectante para o primeiro ponto de pausa, coincidente com o meu aniversário. O problema é que acabou por ser um descontrolo de encomendas. Não me arrependo de nenhuma que fiz, atendendo a que foram todas realizadas com consciência. Contudo, tinha idealizado um número muito menor - a dada altura, parei de contabilizar, mas deve ter chegado aos 20 [usufruindo de promoções imperdíveis, vales de aniversário e saldo em cartão]. A proximidade de um novo mês, fez com que me aliasse à Sofia, retomando o compromisso que estabeleci. E, acredito, será relativamente simples voltar a controlar este desejo desmedido de forrar a casa com livros. Desta vez, a meta é até à Feira do Livro do Porto, em setembro. Portanto, creio que seremos capazes de equilibrar os estragos.

Quando iniciei este desafio, estava com 55 livros por ler. E, salvo erro, reduzi para os 34. Mas, em abril, senti-me quase a regressar ao ponto de partida. Por essa razão, e de modo a auxiliar todos aqueles que navegam no mesmo barco, reuni um conjunto de estratégias que, para mim, permitem gerir a quantidade de leituras que se acumulam.

// O QUE FAZER QUANDO TEMOS DEMASIADOS LIVROS POR LER - AS MINHAS SUGESTÕES //

Criar uma lista

Eu sabia que tinha vários livros por ler, porém, a ficha só me caiu, verdadeiramente, quando comprovei o número exato. E isso revelou-se um pouco assustador, até porque é um indício do quanto é simples perdermos a noção da quantidade. Além disso, vários dos exemplares estavam parados na estante há anos. Tinha-os comprado para ler no ano em questão, mas fui adiando o encontro, porque novas obras foram chegando. Portanto, ter este estímulo visual é, também, uma maneira de não me esquecer da minha missão - e garanto que será mesmo motivador irem rasurando os livros em espera, vendo a pilha a diminuir.

Estabelecer um desafio

Claro que é impensável para nós, enquanto leitores, ter uma lista de livros por ler a zeros. Todavia, podemos criar estratégias para que a mesma não dispare de uma forma pouco saudável, impelindo-nos a comprar constantemente. E eu percebi que criar este compromisso resultava comigo. Apesar disso, também compreendi a necessidade de ter três momentos de exceção, pois é uma maneira de equilibrar esta jornada. Eu optei por uma iniciativa anual, mas podem criar outras metas, como, por exemplo, «só comprar um livro depois de ter lido x». Percebam o que responde melhor ao vosso propósito [e ao número de leituras que vos faltam]. E façam por cumprir com honestidade [é essencial].

Participar em clubes de leitura

Por um lado, sei que os clubes de leitura podem motivar, ainda que não de uma forma consciente, a nossa vontade de adquirir livros novos. No entanto, por outro, são o incentivo certo para, finalmente, avançarmos para aquelas leituras que colocamos em segundo plano. Aproveitando o facto de o conceito ser desenvolvido por temas, permitindo-nos personalizar a nossa participação, Uma Dúzia de Livros, The Bibliophile Club e Ler é Conhecer têm sido ótimos aliados neste percurso. Porque levam-me a observar a minha estante com atenção. E, por consequência, já fui resgatar inúmeros títulos esquecidos.

Não concorrer em passatempos literários

Ou fazê-lo, apenas, nas alturas que definiram para a vossa pausa. Eu sei que é uma decisão um pouco drástica - e que participar não garante que ganhemos -, mas o princípio acaba por ser o mesmo de quando compram livros novos, pois há sempre algum que ficará abandonado.

Silenciar newsletters

Descobri, em conversa com a Sofia, que é possível definirem a periodicidade com que as recebem. E esta atitude pode ser uma boa maneira de não se sentirem tão tentados, sobretudo, se houver a possibilidade de obterem livros [físicos ou digitais] gratuitos.

Trocar um episódio por um capítulo

Durante muitos anos, as séries foram o meu escape ao final do dia. E como aprecio acompanhá-las pelas televisão, era a minha forma preferida para desligar da rotina, envolvendo-me naqueles enredos. Mas, o ano passado, mudei a dinâmica e percebi que passei a ler muito mais ao deixar os episódios para o fim de semana. Conseguindo, ainda, manter um ritmo de leitura regular. Assim, durante o tempo que duraria o episódio, pelo menos, abro um livro e deixo-me ficar nesta viagem.

Estarmos sempre acompanhados de um livro

Porque, deste modo, podemos aproveitar melhor todos os tempos mortos, avançando na história que estamos a ler ou prestes a descobrir.

Organizar e priorizar

Mesmo que o tempo pareça escasso, sinto que, muitas vezes, não lemos não porque ele nos falte, mas porque não o organizamos convenientemente. E é possível incluir a leitura na rotina. Claro que há ocasiões em que a nossa predisposição não coaduna com o ato de ler. Mas priorizar esta arte pode ser aquele salto de leveza que estavam a precisar - após um dia caótico. E uma página pode ser suficiente.

A Sofia também tem uma palavra sobre esta questão, até porque foi ela que me desafiou a refletir sobre o tema. Portanto, estejam atentos à sua casa virtual [aqui]. Tenho a certeza que, por mais pontos em comum que possam existir, enumerará outras estratégias. Porque este processo não deixa de ser bastante pessoal. E é fundamental que compreendam qual o método que resulta melhor convosco. Porque é inegável o quanto nos entusiasma receber novas histórias. Mas elas só nos poderão emocionar - e colar-se à nossa memória -, se as libertarmos das estantes e mergulharmos na magia de cada uma das suas palavras.

O que fazem quando têm demasiados livros por ler?