Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Quem fala demais dá bom dia a cavalo.

Esse é um dos ditados que mais repito em casa, em forma de brincadeira, porque, dado o fato de que usualmente eu não falo muito e sou bem cauteloso na hora de falar, a realidade presente nele poucas vezes se aplica a mim.

Escrevi, há quase um ano, um post reclamando da adaptação da tradução da obra Game of Thrones de George R. R. Martin pela Editora Leya. Na época havia lido em vários blogs a respeito disso e a prévia que a própria editora havia liberado para o público não me animara. Como fã da obra que sou (e já falei a respeito disso diversas vezes), expressei minha decepção e condenei o livro antes de lê-lo, e ainda disse que não iria comprá-lo, chegando a conclamar os leitores a fazerem o mesmo.

Pois bem. Terminei ontem de ler o livro, esse mesmo que eu não só flagelei, como crucifiquei e sobre o qual ainda escarrei. A série televisiva da HBO (perfeita, diga-se de passagem) me impulsionou a isso, e o fato de Eduardo ter lido e não ter notado grandes problemas sedimentou em mim a decisão. De revisitar a história que já havia lido em inglês duas vezes. Não bastasse isso, acabei encontrando uma promoção e comprei os dois livros já publicados (Guerra dos Tronos e Fúria dos Reis) por metade do preço. Não vou falar aqui da trama, pois já há outros posts nesse mesmo blog a respeito disso (aqui e aqui), e sim de como mordi a língua ao detonar a adaptação da tradução da Editora Leya antes de conhecê-la.

Lia o livro e ao longo das suas quase seiscentas páginas encontrei talvez cinco passagens que denunciavam essa adaptação. Fora isso (que não é nada tão grave), a leitura transcorreu sem quaisquer problemas.

Continuo afirmando que é um erro e um desrespeito ao autor da obra adaptar um livro a partir de uma tradução e não traduzir novamente do original, mas ao mesmo tempo reconheço: dei bom dia a cavalo.