Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

(Para ler o que Eduardo escreveu há algum tempo sobre este livro, clique aqui)

O terceiro livro da série “As Crônicas de Gelo e Fogo” prova mais uma vez que George R. R. Martin não tem problemas em maltratar seus personagens. A trama é bastante dinâmica, com um bom equilíbrio entre a Muralha (e além da Muralha), a parte central do continente, incluindo o Tridente e Porto Real, onde a guerra e as intrigas se desenrolam, e o leste, onde Daenerys começa a se tornar poderosa.

A Patrulha da Noite tem muito trabalho, não só com os selvagens, mas também com os Outros. Apesar de Jon se desenvolver bastante e se tornar de vez um dos personagens mais importantes de toda a história, para mim o destaque fica para o improvável Samwell Tarly, ou “Sam, o Matador”, epíteto recebido com justiça, apesar de toda a sua covardia, e seu encontro com uma estranhíssima figura que, raro nessa série, parece ser “do bem”.

Apesar de três casamentos surpreendentes, o momento que mais me chocou em relação à trama envolve Jaime Lannister, um dos mais temidos guerreiros de Westeros, orgulhoso de sua habilidade como tal, e que, de maneira completamente inesperada (para mim) se vê atingido no que mais preza.

Este livro também reforça mais uma vez meus personagens preferidos (e, acho, de metade dos fãs da série):  Arya e Tyrion.

Tudo bem que pequena loba na maioria das vezes não aparenta a pouca idade que tem, mas é inevitável se render à sua bravura, impulsividade e anseios. O momento que encerra sua participação no livro, envolvendo uma pequena moeda de ferro, não poderia ser mais empolgante, e estou ansiosíssimo por suas aventuras no quarto volume da série.

Tyrion no terceiro volume se encontra numa situação bem diferente daquela do segundo livro, quando era a Mão do Rei e salvou a cidade com sua genialidade. Aqui ele percebe o quanto tem que se esforçar para jogar o jogo dos tronos e como não pode confiar em ninguém. Sua despedida no livro também é eletrizante, ainda sobrando tempo para fazer uma piadinha escatológica sobre o ouro dos Lannister.

O que é interessante nesse volume é como ele se afasta do centro do segundo livro: a guerra dos cinco reis. Em A Tormenta de Espadas fica evidente para o leitor (e para os homens da Muralha) que o problema maior é outro, e há coisas muito mais graves com que se preocupar. Contudo, ao final, George R. R. Martin mostra que ainda há reis (apesar de não mais cinco) lutando pelo trono de ferro, e o desenrolar dessa briga promete muito.

Inserindo muita, muita coisa mesmo ao universo apresentado pelo primeiro livro e cujo desenvolvimento começou no segundo, George R. R. Martin não comete o erro de Lost, por exemplo: a famosa série encheu a primeira e a segunda temporadas de questões, enigmas, mistérios e, principalmente, ganchos (os famosos “cliffhangers”). O primeiro volume de As Crônicas de Gelo e Fogo apresentaram diversos ganchos e mistérios – a existência ou não de dragões, os outros, o que há além da muralha, o mistério envolvendo a morte de Jon Arryn, a adaga para matar Bran, e tanta, tanta coisa mais. George R. R. Martin sabe segurar o suspense, mas nos surpreende também ao resolver muitas situações. Ele não maltrata o leitor mantendo vivo TODOS os mistérios indefinidamente. Sempre que resolve algo ele cria outra situação, e assim a história fica sempre dinâmica. Os gigantes existem mesmo ou são só invenções da Velha Nan? E a tentativa de assassinato de Bran, de quem foi a ideia? E o assassinato de Jon Arryn? Quem é Arstan? Valar Morghulis realmente tem algum significado? Existe magia verdadeira em Westeros ou ela está morta? Essas e muitas outras questões são mais do que respondidas nesse terceiro capítulo dessa sensacional saga que é As Crônicas de Gelo e Fogo.

P.S.: A quase menção a The Walking Dead no Epílogo do livro conseguiu me surpreender completamente.

Minha Avaliação:

5 estrelas em 5