Fotografia da minha autoria

O entusiasmo do desconhecido nem sempre é motor para explorar a cidade. E, numa cidade com tanto para descobrir, isso até podia ser mais uma razão para estreitar laços, aumentar conhecimento e satisfazer todas as curiosidades que surgem com a convivência. No entanto, acabo por regressar mais vezes aos espaços que conheço quase de cor, em vez de alargar o espectro e, quem sabe, encontrar outros que pareçam casa.

Quando, no verão, tive a oportunidade de voltar ao Museu do Carro Elétrico (que incluiu uma viagem de elétrico) e, mais tarde, à Fundação Serralves, isso fez-me pensar noutras atividades/noutros programas que me proporcionaram tantas experiências memoráveis e que não voltei a repetir. A possibilidade de um reencontro deixou-me a idealizar quantas camadas distintas poderia descobrir.

A pessoa que somos, na altura em que visitamos os sítios, muda, transforma-se, por mais que isto soe a um lugar comum, portanto, é natural que o nosso foco se adapte, que procure outras perspetivas. Terei sempre as memórias e aquilo que senti, mas também quero regressar e perceber onde prenderei a minha atenção, que pensamentos surgirão nesse passeio, por onde se perderá o meu olhar, que novas recordações poderei acrescentar. Saber-nos a crescer através dos locais que visitamos tem um toque poético — sobretudo, é a prova de que a nossa história floresce através de infinitos estímulos, tornando-nos plurais.

Não sei em que margem temporal isso acontecerá, mas estas são as coisas que quero voltar a fazer no Porto.

 revisitar o parque de são roque

Tem uma aura de sossego que se alinha na perfeição com a minha personalidade pacata, para além de ser um espaço deslumbrante, com vários recantos que parecem saídos de um livro.

 revisitar o museu do futebol clube do porto

Visitei-o durante quatro anos seguidos, quando ainda estava na faculdade, e não me importava de fazer disso uma tradição anual. Enquanto portista, sei que é um marco irresistível da nossa história, por mais que o clube até possa ter as suas fases menos positivas. Independentemente disso, há sempre um motivo de celebração e de orgulho, e sei que estou a precisar de me reencontrar com esta dose de energia pintada a azul e branco.

  voltar a subir a torre dos clérigos

Já o fiz algumas vezes e é sempre impressionante. A escadaria não é a mais agradável — e não aconselho a quem sofra de claustrofobia —, mas a vista compensa sempre.

 voltar a fazer o passeio das pontes

Andar de barco é sempre um misto de sensações: enquanto pessoa que não sabe nadar, há um pensamento intrusivo que ecoa, embora me tenha sentido sempre segura na única vez que fiz este passeio. Ainda assim, tenho uma algumas saudades de viajar entre margens e observar as minhas cidades desta perspetiva.

 ver uma peça de teatro no teatro nacional de são joão

É muito vergonhoso se disser que a última peça que vi no Teatro Nacional de São João foi o monólogo de O Ano do Pensamento Mágico, interpretado por Eunice Muñoz, em 2010? A minha relação com o teatro é bastante intermitente e precisa de ser mais nutrida. Além disso, como adoro esta sala, creio que seria uma bela forma de aproveitar um programa versátil.