Por Cátia Madeira

Mais sobre o livro AQUI

Estava em cima de uma das secretárias cá de casa e peguei-lhe por mero acaso. Não sei se foi pela fotografia da capa, onde está uma menina sentada a brincar na areia como os meus filhos gostam de fazer, se foi porque gosto destes livros pequenos, de pegar e manusear o objeto.

Li a primeira página e achei que poderia gostar. Tenho interesse genuíno em compreender a parentalidade pela perspetiva do pai. Não tanto para compreender o pai dos meus filhos, porque com esse falo bastante sobre o tema e compreendo-o lindamente; mas talvez para compreender o meu próprio pai que teve muitas dificuldades em cumprir o seu papel apesar de ter estado sempre presente.

Pareceu-me assim uma boa leitura e da primeira página deixei-me levar para as restantes. Ainda bem que o fiz.

Ao longo do livro conhecemos vários pais: de filhos planeados, de filhos imprevistos, mais velhos, mais novos, pais de duas viagens e até mães que passaram a ser pais. É-nos apresentada a perspetiva da chegada e do cuidado de um filho pelos olhos de quem fazendo tanta parte da sua conceção como a mãe, está à margem da construção daquele ser até ao momento em que respira e já pede cuidados.

É um amor que mora na expectativa, na imaginação, até que um dia, como uma luz, ganha vida e aparece de rompante para tomar conta de tudo.

O papel do pai ainda tem muito para crescer na sociedade em que vivemos, estando sempre na sombra em relação à mãe e apresentando-se como secundário o que, para quem quer estar longe, facilita, mas para aqueles que querem ser pais com pê grande, é um grande empecilho.

Um exemplo prático disso é a forma como são vividas as partilhas de custódia em caso de divorcio. Como se não bastasse o custo, para todas as partes, da quebra familiar, existe ainda um julgamento social constante que obriga a mãe a ser mais e espera que sempre menos do pai.

Todas as pontas deste livro estão entrelaçadas como malha.

Aconselho vivamente a leitura e agradeço ao Frederico, pela oferta desta perspetiva que me permitiu pensar e repensar por outros ângulos este papel tão importante na vida de cada um de nós (sejamos pais, mães ou filhos).