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Jan21

Maria do Rosário Pedreira

Ao contrário do que costuma acontecer-me nas férias, li muito pouco desde que me despedi aqui no blogue a desejar boas festas (no dia 23 de Dezembro) até ontem. As razões não são partilháveis, mas são-no as páginas do que, apesar de tudo, consegui ler. Trata-se, de resto, de uma obra que eu já aqui tinha aflorado e está a fazer furor em todos os lugares onde é publicada. Recebeu elogios dos jornais espanhóis (à direita e à esquerda) e foi louvada por craques como Juan José Millás, Vargas Llosa ou Alberto Manguel. Fala daquela coisa de que gostam os que aqui vêm ao blogue: livros, pois claro! Chama-se O Infinito num Junco – A Invenção do Livro na Antiguidade e o Nascer da Sede de Leitura e assina-o Irene Vallejo, uma leitora apaixonada, doutorada em Estudos Clássicos em Saragoça e Florença e com uma ampla cultura sobre a história do livro. Trata-se de um ensaio que se lê como ficção; e, entre as dezenas de passagens que fui sublinhando e com as quais vos brindarei ao longo deste ano sempre que vier a propósito, está uma pequena história muito bonita sobre o amor que uniu Marco António e Cleópatra. Como se sabe, a poderosa rainha do Egipto tinha tudo, riqueza e jóias; e, quando começou a pensar num presente de que ela não fosse desdenhar (tinha-a visto derreter uma pérola em vinagre e bebê-la), Marco António resolveu deitar-lhe aos pés 200.000 livros para a Biblioteca de Alexandria. Claro que ela não resistiu a tal oferenda e foi o que se sabe. Bem, se se interessam pelos livros como capital de paixão, não hesitem em ler este. E em sublinhá-lo, porque em todas as suas páginas há pérolas que convém não dissolver.