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| Fotografia da minha autoria |
«Um romance com um enredo delicioso»
Avisos de Conteúdo: Saúde Mental, Referência a Droga/Álcool,
Relacionamentos Abusivos, Auto-mutilação
A sensação de encontrarmos um autor cuja obra queremos ler toda é maravilhosa, porque nos mostra que chegamos ao nosso lugar, ao tipo de escrita e construção narrativa que se adequa às nossas preferências. Isso tem-me acontecido com Sally Rooney, portanto, quando for grande, quero escrever como ela. É possível?
UM COMPLEXO MÉNAGE-À-QUATRE
Conversas Entre Amigos concentra-se na história de duas amigas, Frances e Bobbi, que já se envolveram numa relação romântica. Apesar de não ter resultado, a amizade entre ambas manteve-se estável e inseparável, e acabaram por conhecer Melissa e Nick, um casal mais velho. A interação entre os quatro foi-se tornando íntima, mas também complexa, levando-os para um mundo de luxo, festas e vulnerabilidade.
«Agradam-me as pessoas do tipo poético»
O início pareceu-me algo disperso, por isso, demorei a relacionar-me com o enredo e com os protagonistas - e não estou certa de o ter feito em pleno. Ainda assim, acho inegável um aspeto: a capacidade de Sally Rooney para construir as suas personagens. Adoro que nunca as tente tornar perfeitas, adoro, inclusive, que nos faça questionar tantas vezes os seus valores, a sua moralidade, tendo em conta as decisões e os comportamentos que têm, nas mais diversas circunstâncias. Talvez por esse motivo tenha passado metade do tempo a querer gritar com cada uma delas e a outra metade a tentar escutar os seus dramas, as suas dúvidas, as suas dores.
«Há em ti qualquer coisa de genuinamente imperturbável, disse ele, Não há?»
Há muita coisa que não é dita e isso traz dissabores, porque a distância nas relações começa a tornar-se evidente. E é neste silêncio que nós, enquanto leitores, traçamos os nossos pareceres e vamos conhecendo Frances, Bobbi, Nick e Melissa, com personalidades complexas, a tentarem encontrar algum propósito.
«O coração batia-me disparado em virtude da consciência de não estar a ser verdadeira,
mas exteriormente era uma mentirosa competente, até mesmo competitiva»
Não gosto de comparar livros (do mesmo autor ou não), mas sinto que a grande diferença entre Pessoas Normais e Conversas Entre Amigos é que, no primeiro, há um tom melancólico, soturno, uma vez que os envolvidos não sabiam o que fazer; no segundo, cada ação é deliberada, eles sabem o que fazer para magoar o outro. Ainda que algumas coisas tenham sido, para mim, exageradas, apreciei bastante esta dinâmica: porque é verosímil, zero condescendente e nós entendemos o que sentem, mesmo quando isso não é descrito.
«Alguma vez tiveste a sensação de estares perdida na vida, sem saberes o que estás a fazer?»
Existem coisas que podiam ser aprofundadas, ainda assim, para primeiro livro, tem uma abordagem mesmo interessante. E a verdade é que já passaram três meses desde que o li e a história central continua comigo.
🎧 Música para acompanhar: Atmosphere, James Blake
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