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Há umas semanas, numa viagem de carro, quando estava ainda no inicio do último livro, dizia ao meu marido que, ler Sally Roney, traz ao de cima a bisbilhoteira que há em mim. Isto porque a forma como escreve me causa um sentimento muito parecido àquele que tenho quando, sentada numa esplanada, começo a ouvir uma amiga a contar a outra uma história que só a elas pertence.
As personagens ficam como alguém real que passou na minha vida. Fecho o livro, depois de mais um capitulo, e fico a pensar no que aconteceu àquela pessoa que não existe, da mesma forma que, depois de ouvir uma conversa no café, fico a pensar na vida daquela pessoa que não conheço.
Temos de estar com especial atenção para não perder o fio à meada.
Por esta minha paixoneta literária é possível que a minha visão seja tendenciosa, já que, me parece impossível que a autora escreva alguma coisa desagradável.
Quanto a este “Intermezzo”, antes mesmo de chegar ao fim já sabia que seria um dos meus livros favoritos do ano. Não há um enredo fabuloso, não há suspense, não há assassinatos nem cenas dramáticas, há uma coisa que adoro muito mais do que isso: o ser humano retratado na sua vida comum, nas suas inseguranças, más escolhas, miudezas irrelevantes aos grandes males do mundo, mas nas quais pensamos e que mais nos atormentam no dia à dia.
Sobre a história posso dizer que são dois irmãos que se adoram e que se admiram, sem que nenhum saiba exatamente disso. São duas pessoas que, face às circunstâncias da vida e às suas personalidades tão diferentes fazem escolhas, umas revelam-se certas outras nem por isso. Seria tudo muito simples se a coisas mais banais não fossem às vezes as mais tramadas de resolver.
Sally Rooney recomendo sempre, todos os outros e este também.
