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| Fotografia da minha autoria |
«Nada como o tempo após um contratempo»
O amor queima
Contra[o]tempo
É maior do que nós
Somos dois corpos desengonçados
Perdidos no meio da multidão
Sem sentido, rumo a meros acasos
Que nos levam a lugar nenhum
Habituei-me à tua presença vazia
Sem questionar se algum dia
Serias capaz de saber por onde seguir
[desvio o olhar e pergunto o mesmo sobre mim]
Estamos longe de tudo
De nós, de quem fomos
Estamos longe
De um pedaço de luz
Que nos guie a porto seguro
Se o amor nos falhar
Somos restos de nada
Contornos que deambulam por meio de sopros
Dou passos curtos, a medo
Piso superfícies incertas
Descubro um lado meu que não pensei existir
Revejo-te e torno a olhar-te
Habituei-me à tua presença
E agora não sei viver sem ela
Libertei-nos do vazio
Que a nossa caminhada solitária acumulou
Contra[o]tempo
O amor queima
