O exercício de ontem (lembram-se do curso de escrita que estou a frequentar?) fez-me pegar numa frase construída na sessão passada e, partindo desta - usando-a como "Título", construir um pequeno texto. Mas o que escrever com uma frase tão declaradamente verdadeira?
E o resultado foi este (desculpem alguma deceção, mas escrever à noite, sobre algo "aleatório" e que irá sser lido a um grupo de pessoas que não conheço. torna-se estranho e até inibidor):
"Mãe, magnífica, mulher minha"
Mãe, magnífica mulher minha, mataste meu mundo mortiço. Hoje o dia está escuro. A minha juventude fugiu com a tua ausência, com a inevitável partida do que já nem restava de ti: uma ínfima parte daquilo que eras. Nunca me obrigaste a acreditar em coisas absurdas nem em pais natais ou anjinhos. Fomos sempre tão diretas e tão verdadeiras, tão racionais tanto nas presenças como na perspetiva da ausência. Esperada.
Aquele mundo mortilo em que andávamos, acabou.
Tu pudeste seguir a tua viagem e eu pude pôr um ponto final neste vai que fica, fica que fica e, arregaçar as mangas para tomar, agora eu, conta daquele que foi o teu papel e com o qual me comprometo.
(Elsa Filipe, 16.09.2024)