Cada vez que sai o ranking das melhores escolas fico sempre a pensar como é bom ser privilegiado. Na minha escola havia piscina - que era quando chovia e um dos campos de jogos ficava alagado. Havia muitas visitas de estudo! Especialmente aos corredores quando era preciso encontrar uma funcionária. O pensamento individual era incentivado - "vou ter de fazer isto sozinho pois o professor não vai ter como me ajudar no meio desta turma de quase trinta". Aulas especiais de matemática - "qual é a probabilidade de eu conseguir um dos dois computadores da biblioteca que funcionam do seis que lá existem?". De geografia: "hoje vamos aprender sobre Trás-os-Montes onde a minha família vive enquanto dou aulas em Lisboa". Os pais tinham aulas de dever cívico - como reciclar os manuais que comprou o ano passado e como arranjar dinheiro para os novos". Pois é....

Nunca hei-de perceber os critérios destas listas nem como é que se consegue comparar o que não tem comparação alguma. Não acho que os filhos de quem paga mais de quinhentos euros de mensalidade por um colégio saiam de casa sem comer porque não há comida no frigorifico. É vida, cara Constança de Menezes. Mas é só uma suposição minha. Outra suposição: talvez um colégio consiga mais facilmente um subsídio do que uma escola púbica que precisa de obras. A única finalidade deste ranking parece-me ser apenas a de agravar ainda mais o fosso entre classes que existe neste cantinho: em vez de se discutir quem ficou em primeiro ou em último que tal discutir os vários problemas sócio-económicos que afectam as escolas públicas? Não obstante o mencionado acima a maior parte da minha turma conseguiu chegar à faculdade - eu fiquei no quadro de honra no último ano. A sério, até recebi um diploma. Assim de repente não sei bem onde está, mas...