
Esta história remonta a finais de agosto.
Fui à livraria encomendar os livros escolares do meu filho. À minha frente um casal e uma criança com idade entre os 10 e os 12 anos.
Apercebi-me que havia demora do pedido e às tantas dei conta que o problema era a ausência de vouchers para os livros fichas. A livreira confirmou essa informação e indicou que teriam de ser pagos pelos pais se existe interesse.
O pai a muito a contragosto pergunto qual era o preço. A livreira deu o valor por alto e quando ouviu o mesmo o pai retorquiu de imediato “Nem pensar”. A mãe tentou argumentar que podiam ser importantes, mas o senhor manteve-se intransigente e atirou. “Gastar esse dinheiro para uma coisa que não é obrigatório? Eu não. Não tenho dinheiro para esses luxos. Isso é só para os tipos dos livros ganharem dinheiro!”, e nisto virou-se para trás à procura de aprovação, neste caso na minha pessoa que se limitou a olhar para ele com cara de merda (desculpem não tenho uma expressão melhor).
Não gosto de fazer juízos de valor, mas neste caso vou fazê-lo.
Pai e filho envergavam cada um uma camisola de oficial de um clube de futebol, um nacional outro estrangeiro, com nome e número. Um terço do valor das duas camisolas (estou a ser simpático) seria suficiente para todos os livros de fichas do miúdo. Mas, naturalmente, há prioridades. Gastar dinheiro em livros para a escola dos miúdos, não é, naturalmente uma delas…