Fotografia da minha autoria «Não discuto com o destino» A transição para 2020 não permitiu antever o quanto sentiríamos a nossa vida em suspenso. Aliás, considerei mesmo que seria um ano surpreendente [pelos melhores motivos], cheio de conquistas e reencontros. No entanto, até os meus pontos de retorno se encontram numa pausa por tempo indeterminado. Porque o mundo está parado. E o futuro é uma autêntica página em branco. Independentemente das linhas que se venham a escrever, compreendemos que há um traço falível nos nossos passos, portanto, é necessário continuarmos a ser prudentes. Honestamente, não sei se me amedronta mais este período de pandemia ou o pós. E eu tenho-me como uma pessoa otimista, sendo o meu melhor trunfo para lutar contra as adversidades. Atendendo a que sou uma das privilegiadas, uma vez que apenas tenho que permanecer em casa a cumprir as recomendações da OMS/DGS, centro-me naquilo que posso controlar: a minha saúde mental. Dessa forma, motivo-me a idealizar o momento em que poderemos respirar fundo e retomar a normalidade. Bem sei que o mantra «vai ficar tudo bem» tende a despertar uma certa ansiedade, porém, acredito nele com todo o meu coração. Até porque, caso contrário, estarei a assumir uma derrota que não estou disposta a aceitar, sobretudo, quando temos profissionais na linha da frente a combater com afinco. E se eles não desistem, eu também não o farei! É provável que a escuridão ainda persista por mais tempo. Mas a luz acabará por vingar. Apesar disso, existem inúmeras áreas cinzentas. E questiono-me se o pós-pandemia será tão glamoroso como o ambicionamos. A perspetiva de recuperarmos os nossos velhos hábitos/rotinas é aliciante e, para além disso, entusiasma bastante. Contudo, prevejo que, quando pudermos voltar à rua, persistirá um certo desconforto e uma dúvida permanente: estabilizou ou haverá sequelas? E assusta-me pensar que algumas pessoas retirarão pouco desta situação. Não sei se estamos, verdadeiramente, preparados para o que nos espera, mas quero crer que, enquanto sociedade, retiraremos lições imprescindíveis, que vão desde o valor do outro ao poder do abraço. E sem esquecer o refúgio que deve ser a nossa casa, a nossa cultura, as nossas pessoas. // OS MEUS PLANOS // O desafio é real e sério. Exige compromisso. E, para serenar, criei uma lista de planos para quando se erguer o sol da nossa liberdade. Dar um beijo de boa noite aos meus pais: Cá em casa, nunca nos deitamos sem privilegiar este ritual tão cheio de amor. No entanto, como o meu pai continua a ter que sair para trabalhar, protegemo-nos o melhor que sabemos/conseguimos. Custa, mas é por um bem maior. Visitar a minha madrinha: Que está num lar. E, portanto, sem visitas presenciais. Sei que ela está bem e isso, nesta altura, vale o mundo. Festejar o meu aniversário: Com as minhas pessoas-casa. Com muitos abraços. E com a melodia insubstituível de uma gargalhada ao vivo. Jantares de quarta: Uma vez por semana, os meus afilhados, a minha comadre e o namorado vêm jantar cá a casa. Inicialmente, tínhamos um dia fixo - às quartas -, mas agora vai dependendo dos turnos da minha comadre. E uma das piores partes desta quarentena é não poder estar com eles. Quando tudo isto passar, vou querer matar as saudades todas! Comprar livros numa livraria: Pelo simbolismo e por me permitir contribuir para uma causa em que acredito. Em simultâneo, pretendo incluir um regresso à Lello, que estava nos meus objetivos de abril. Ir ao Bibó Porto! comer uma francesinha: Pela qual ando a suspirar. Passear pelos Jardins do Palácio de Cristal: Uma vez que são quase uma segunda casa e as saudades são gritantes - e gigantes também. Ir de fim de semana: Não sei para onde, mas ir. Porque era suposto ter acontecido após o meu aniversário. E bem que merecemos. Ver Lugar Estranho: O Diogo Faro tinha espetáculo agendado no Sá da Bandeira e, finalmente, ia vê-lo ao vivo. Com a pandemia, foi tudo adiado e, sem perspetivas de melhoria, acabei por pedir o reembolso dos bilhetes. Mas a vontade de assistir ao seu solo não esmoreceu. Quando houver data definitiva para o mesmo, farei por estar presente. Vocês já têm planos para o Pós-Pandemia?