
Ou "o apanhador no campo de centeio" ou, ainda, "Uma agulha no palheiro".
Se fosse eu, escolhia "o apanhador no campo de centeio". Posso aliás, começar por aqui, pela referência a este título, que diz respeito a apenas uma pequena passagem deste livro mas que tem em si, ainda assim ou talvez por isso, uma imagem tão forte. Aliás, todo o livro é algo cinematográfico (ainda que o protagonista não goste de cinema) e as imagens que nos surgem, as diferentes velocidades de acção, contam a sua própria história.
Ao longo destas páginas acompanhamos Holden que resolve contar-nos o que se passou nos dias seguintes à sua expulsão de Pencey, colégio para o qual não deverá voltar após as férias do Natal.
Cedo percebemos que o tom deste livro é extremamente triste. Aquele miúdo deu-me pena quase de início e perguntei-me muitas vezes porque é que nenhum dos adultos que o rodeia o consegue "ver" e ajudar. Mais do que retratar os dramas da adolescência (muito parecidos, mais no conteúdo que na forma, aos sentidos pelos adolescentes actuais) e a passagem para a idade adulta, este livro fala-nos sobre depressão, solidão, não-integração (real ou apenas sentida) e consegue, num tom muito particular dar voz a quem, na altura em que o livro foi escrito, pouca voz teria.
Tendo-o lido com "olhos de adulta" não consegui sentir a empatia que queria ter sentido com o Holden. Mas compreendo perfeitamente o impacto que este livro deve ter quando lido na idade certa, ali pelos 15/16 anos. Será, certamente, um livro a ofercer a alguns adolescentes.
E é um livro que recomendo sem reservas.