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| Fotografia da minha autoria |
«Todos merecem uma grande história de amor»
O meu vínculo à sétima arte, vocês sabem, não é o mais estreito e tende a enfraquecer graças ao facto de preferir ler o livro antes de assistir à adaptação cinematográfica. Recentemente, quebrei esta tendência, pois percebi que, de outro modo, demoraria a conhecer uma história tão amorosa e pertinente como Love, Simon.
O ARGUMENTO
Simon Spier tem 16 anos, uma personalidade carismática, cativante, e uma família e um grupo de amigos que o adoram - e respeitam. Até aqui, nada de alarmante. O problema é que esconde um segredo: é homossexual.
Encobrir esta parte de si nunca foi algo consciente, mas a verdade é que nunca a revelou ao seu núcleo mais próximo. Só quando começou a enviar mensagens regulares a Blue, um correspondente anónimo numa situação semelhante, é que despertou para um conjunto de questões sobre aceitação e autodescoberta.
A vida de Simon fica do avesso assim que alguém tem acesso ao seu e-mail e torna as mensagens públicas.
A NECESSIDADE DE (NÃO) NOS ASSUMIRMOS
O tom descontraído e cómico do enredo fascinou-me e fez com que toda a experiência de acompanhar a jornada de Simon fosse ainda mais especial, porque é evidente o seu desconforto, mas também o seu à vontade. Naturalmente, debate-se com alguns conflitos internos, mas não transforma a sua vida num drama.
Assistir a este filme permitiu-me refletir sobre a injustiça dos padrões duplos. Ou seja, porque é que um heterossexual não tem de se assumir, mas um homossexual sim? Perdoem-me se estiver a ser spoiler, mas existe uma cena deliciosa sobre esta situação, porque vemos heterossexuais a assumirem-se às suas famílias e o quanto isso é estapafúrdio e o quanto perpetua uma pressão desnecessária - já basta que as pessoas sintam o peso da diferença por terem uma orientação sexual que a sociedade considera não ser a norma.
Em simultâneo, levou-me a considerar que este processo de aceitação talvez necessite de ser verbal por um motivo: ao assumirmos quem somos, temos a capacidade de mostrar a alguém no mesmo comprimento de onda que não caminha sozinho e que não tem de se sentir envergonhado, e muito menos que tem de se esconder. No fundo, é uma maneira de quebrar tabus e preconceitos, criando uma bolha segura de empatia.
Love, Simon é sobre aprender a confiar. É sobre errar e tentar consertar falhas. Principalmente, é uma história de amor - próprio e pelo outro - como as verdadeiras histórias de amor devem ser: vulneráveis, puras, sem descurar a comunicação entre pares e sem receio de sermos quem somos. Agora, quero muito ler o livro.
