Patrícia Costa Dias conta a sua luta contra a bulimia na primeira pessoa. Mais do que uma luta contra uma doença, é a descrição da sua passagem da infância para a adolescência e do seu crescimento até se tornar numa mulher adulta. A forma como coloca em palavras os seus medos, a sua ansiedade, contrastam com a menina frágil que se começa a deixar levar pelos episódios sucessivos de vómitos e por uma luta diária contra a comida. Para ela, a fé não é o ponto essencial no início, mas na procura por si mesma e por formas de se autoajudar, quando todos os outros parecem nem reparar na sua dor, encontra na meditação e na escrita o caminho para se reencontrar.
É neste reencontro com a sua própria infância que, num país distante, encontra o amor e constitui a sua própria família. Mas para que descubra este seu lado, precisa de ultrapassar um caminho muito longo e difícil, onde o seu pior inimigo é aquilo que a mantém viva - a comida - e o próprio reconhecimnento da forma como ultrapassar a bulimia.
Um livro inspirador. Apesar de nos falar de fé, não é de forma nenhuma uma descrição da religião como o caminho, mas pelo contrário, uma busca por si mesma naquilo que entre várias religiões e grupos ela vai encontrando, pois é nos locais calmos, como o silêncio de uma capela, ou num centro de meditação budista, que Patrícia escuta os seus próprios pensamentos, organiza as suas ideias e define dia após dia, as suas metas pessoais.
Recomendo. Para quem luta com esta doença. Para quem tem familiares em busca de um caminho para sair da bulimia ou da anorexia. Para quem tenta sair de uma espiral de auto destruição. Um livro pode ser um confidente, um apoio, um amigo.