O Morto Contente / JB Comércio Global
Sabem como no post sobre a Colecção Lucas Scarpone eu mencionei ter vontade de terminar a série Triângulo Jota?
A JB Comércio Global, empresa de Vila do Conde ligada ao fornecimento para retalho de papelarias, livrarias e lojas de brinquedos, contactou-me no sentido de formarmos uma parceria, na qual aliariam a sua actividade de negócio na venda de livros ao facto de eu, bem, escrever sobre livros. Após alguma conversa (e saliento desde já a paciência da Joana, representante da empresa, pois eu, tendo recentemente começado um novo emprego, demorei bastante a responder), houve a vontade da parte da empresa em acomodar os meus gostos pessoais nesta parceria.
Após uma breve pesquisa apercebi-me que, na secção do site dedicada a colecções literárias, se encontrava não só Lucas Scarpone, mas Triângulo Jota. A Joana verificou a disponibilidade de stock e, assim, o penúltimo livro (primeiro dos dois que me faltavam) veio a caminho de minha casa, tendo chegado em tempo record - demorou apenas um dia!
E claro que, mal acabei de ler o Just Kids, da Patti Smith, me debrucei sobre mais esta aventura de Jorge, Joana e Joel. Sendo um livro juvenil, é de leitura obviamente rápida; lembro-me de, em 2005, ter comprado o terceiro livro da trilogia As Pedras do Diabo para ler nas férias e de o ter lido numa tarde... ainda antes de ir de férias. Oops!
Nota inicial: no primeiro capítulo há uma falha de edição gravíssima. O Joel vai visitar um amigo que trabalha num clube de vídeo, o Flash, enquanto que o Jorge vai visitar um outro amigo a uma clínica, o Afonso; no entanto, a partir do momento em que Joel chega ao clube de vídeo, o seu amigo passa a chamar-se Afonso... demorei alguns momentos a perceber o lapso, mas a partir daí correu tudo bem.
Outra nota, referente ao livro num todo: os outros volumes que li tinham algumas ilustrações, e eu adorava. Será que esta edição não as tem por ter os garotos da série (que nunca vi) na capa, e coisas como a Joana ter cabelo preto ou o Joel ter cabelo curto, e o Jorge das ilustrações ter basicamente o cabelo do actor que faz de Joel, influenciaram esta decisão? Senti falta.
E ainda: na lista de livros da colecção, no fim do livro, é omitido Corre, Michael! Corre!; alguém sabe o porquê?
Fora isto: o livro é ma-ra-vi-lho-so. Como toda a série: já falei aqui que adorava Uma Aventura, mas Triângulo Jota entra em aventuras mais violentas (geralmente com seitas e tentativas de homicídio), bruxas, mortes rituais, mitologia egípcia, alquimia, espiritismo, a cidade do Porto, sexo e asneiras. E, é claro, o Inspector Cavadinhas da Polícia Judiciária. Os primeiros livros eram mais policiais; os últimos entram mais no sobrenatural. Em suma: Triângulo Jota ainda dá um gozo fantástico ao ler, e decidi que quero reler a série inteira.
- São sonhos também - concordou o Ricardo. - Sempre o mesmo sonho e só em certas noites. Mas é um sonho que parece real. Quero acordar e não consigo, só quando tudo acaba e o morto...
O Ricardo calou-se de repente, afectado pela recordação.
- O morto? - perguntou o Jorge.
- É sempre assim: eu estou deitado ao comprido e ele ao meu lado, o morto, no seu caixão. Às vezes aparece um homem que lhe corta o cabelo e as unhas das mãos e dos pés. Outras vezes esse homem anda apenas por ali, também está sempre presente.
(...)
- Não acontece mais nada. Só isto. De vez em quando eu levanto a cabeça e vejo-o, ao morto. É um morto que sorri, um morto contente. Depois ele vai embora. Ou serei eu?
Aqui, Joel conhece um estranho rapaz de uns 14 anos que, uma noite, lhe aponta uma pistola, a ele e a um amigo, porque quer ver um filme no clube de vídeo onde o amigo de Joel trabalhava. Seguem-se assaltos a autocarros, o paupérrimo Bairro Babilónia (que não pude evitar pensar frequentemente ser na Amadora, junto ao Babilónia...), sonhos macabros, visões de uma ex-namorada morta, um morto que sorri e que habita na cave ao lado, tia Edite sempre hilariante e uma Joana que está demasiado ensimesmada para querer saber do drama em que o irmão se envolveu desta vez (mas que acaba por salvar o dia).
- Os Adoradores de Baal.
- E quem é esse, o Bal?
- Baal. É um velho demónio, instrutor de alguns druidas celtas. Queres ouvir a história?
Os elementos místicos são, como sempre, quase todos explicados - mas resta sempre ao leitor decidir se quer acreditar se é possível um corpo morto há mais de 500 anos estar conservado e ser utilizado para rituais bizarros, se é possível alguém ser descendente do demónio Baal e de uma humana.
Adorei ler este livro, adorei voltar a entrar nesta série, mesmo apesar do facto de a Joana só se envolver no mistério quase no fim do livro. Plano para 2019: reler a colecção toda!
4/5 só não dou 5 por causa do erro de edição atroz
Podem comprar esta edição aqui.



