No início do ano eu tinha dois objectivos principais: não me matar e não matar ninguém. Na verdade, não são dois objectivos é mais um lema de vida: se eu chegar ao fim do dia sem que nenhum dos factos anteriores se verifique então é porque foi um bom dia, a despeito de tudo o que possa ter também acontecido. Neste momento estamos a meio do ano e penso ter motivos para me alegrar, pois a modos que ainda cá estou. Já disse que o Verão me deprime? Pois é, se me oferecessem um bilhete para a Lapónia aceitava com todo o gosto. Eu não funciono como o resto das pessoas: para elas começou o tempo da praia, para mim acabou. Enfim, também ainda não mandei ninguém para o além, embora num certo dia em que estive quarenta minutos para pagar três cêntimos na secretaria da faculdade me tivesse apetecido muito. Não sei porque é que o pessoal me chateia, tendo em conta que o instinto de sobrevivência até agora tem levado a melhor.
