m formato virtual, aglomerar não é problema. As turmas, que antes tinham um “teto” para o alunato, via Zoom ou Meet, recebem dezenas de participantes Redação Clubes de escrita voltaram à moda. Instituições culturais como o Sesc e A Escrevedeira, de Noemi Jaffe, oferecem várias modalidades de aulas, espalhando a palavra para dezenas de aspirantes à escrita. De rostos conhecidos no metiê literário a marinheiros de primeira viagem, alguns cursos se assemelham a rodas de conversa com autores (como em As Artes e Artimanhas da Crônica, ministrado pelo poeta Fabrício Corsaletti, que é uma verdadeira introdução para quem quer se aventurar pelo gênero), oficinas de escrita criativa, debates de lançamentos de livros e a lista é longa. As atividades, pagas e gratuitas, garantem um capital mais precioso do que o dinheiro: o contato humano. Nas aulas, a partilha de ideias e as parcerias entre leitores, livreiros e escritores veteranos e jovens é o que mantém revigorado o espírito das atividades. Em São Paulo, alguns escritores também oferecem oficinas de escrita criativa, como o contista João Anzanello Carrascoza e também Noemi Jaffe. “A gente surpreendentemente têm tido bastante procura pelos nossos cursos e palestras”, conta Jaffe, que mantém a Escrevedeira na rua Isabel de Castela, na Vila Madalena. “Gente de todo o Brasil e até do exterior pode participar das oficinas, tenho turmas com 60, 80 pessoas em alguns módulos”, disse a também escritora, referindo-se aos encontros virtuais. Autor de prestígio nas letras latinas, João Carrascoza ministra um curso de microcontos na instituição. Tendência que está viralizando em uma sociedade que é ávida consumidora de tweets, o microconto é um gênero que bem se aclimatou na dinâmica virtual, podendo ser cometido em espaços tão enxutos quanto, às vezes, os próprios posts de redes sociais. Em círculo, auditório, “sala de aula”, na ribalta, muitos ambientes abrigam tais iniciativas, com duração de semanas a meses, instituições como o SESC têm aulas concorridas. Foi o caso da oficina de escrita com o escritor e ilustrador Lourenço Mutarelli, curso ocorrido no semestre passado na unidade da Av. Paulista, que teve as aulas interrompidas por causa da pandemia da COVID-19. Em casa, resta aos escribas em formação praticar o ato solitário da escrita, para participar via internet das reuniões. Em formato virtual, aglomerar não é problema. As turmas, que antes tinham um “teto” para o alunato, via Zoom ou Meet, recebem dezenas de participantes. O único problema, no entanto, continua sendo a conexão.