Fotografia da minha autoriaTema: Um livro que nunca acabasteA leitura é um espaço de descoberta. Por isso, quando seleciono um livro, tenho uma certa dificuldade em colocá-lo em pausa, caso não esteja a ser entusiasmante. Porque preservo a esperança de ver a história a melhorar e, se desistir, posso perder essa metamorfose. No entanto, aprendi que cada obra tem o seu momento e que a insistência pode desencadear um efeito mais negativo. Portanto, tenho largado a mão daquelas que não me convencem à primeira tentativa. Mas, para o Uma Dúzia de Livros, procurei fazer as pazes com Arturo Pérez-Reverte.«Talvez no fim de contas - pensava agora - a cena nunca tivesse estado diante dos seus olhos»O Pintor de Batalhas coloca-nos em contacto com um fotógrafo de guerra que, durante 30 anos, viajou por imensos lugares, registando o caos. Porém, numa fase mais recente da sua vida, abraçou a missão de pintar a fotografia que nunca foi capaz de tirar. Porque há algo nessa imagem que pode perpetuar a intensidade da dor. Através de uma escrita crua e sem deslumbramentos, a premissa é bastante intrigante. E sinto que fui completamente desarmada nas primeiras páginas do enredo. Contudo, ultrapassado esse impacto inicial, perdi-me em detalhes [para mim] repetitivos e, até, desnecessários. Fiquei comovida com a procura de sentido e com as memórias perturbantes do passado, mas creio que a reflexão tornou-se demasiado filosófica e tão desprovida de empatia.«Você, que foi uma testemunha com bilhete de volta em tantas desgraças, sabe a que me refiro»O tom sombrio e imoral é fruto de toda a maldade, desesperança e infortúnio que captou com a sua objetiva. E, também por essa razão, faz-nos repensar a índole humana, porque desconstrói as nossas convicções e os nossos limites, levando-nos numa viagem às nossas entranhas. Explorando o isolamento, talvez tenha sido a exposição da ruína - externa e interna - que não me cativou, embora reconheça a pertinência dos seus dilemas e dos conflitos inter e intrapessoais.«E se alguma coisa me agrada em ti é o silêncio que guardam os teus silêncios»O Pintor de Batalhas não é, de todo, um mau livro, apenas não senti o deslumbramento prometido, porque recuei mais do que aquilo que consegui avançar para obter uma total compreensão das motivações do[s] protagonista[s]. Mas, se calhar, a beleza da narrativa é mesmo essa: deixar-nos profundamente à deriva, entre a lucidez e a solidão, num inferno que, não sendo o nosso, se transforma numa agonia transversal.«Gosto que sejas tão bom no teu trabalho e que uma lágrima nunca te tenha feito perder a focagem da máquina. Ou que isso não transpareça»// Disponibilidade //Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥