ENTRELINHAS || CRÓNICA DOS BONS MALANDROS
literatura portuguesa contemporânea, romance de assalto, sátira literária, narrativa de personagens marginais
Fotografia da minha autoria«Um grupo de ladrões muito particular»O nome de certas obras povoa a nossa memória, como se fosse um subtil lembrete para as descobrirmos. Mesmo quando eu ainda não estava em perfeita simbiose com a literatura, Mário Zambujal era presença constante no grupo de autores que me despertava curiosidade. A verdade é que tardei a lê-lo, mas rendi-me ao tom da sua escrita em À Noite Logo Se Vê. E, este ano, decidi aventurar-me no seu livro mais aclamado.«(...) encontro de sete vidas depois de muito tombo e aventura»Crónica dos Bons Malandros tem como premissa um assalto inigualável ao Museu Gulbenkian. Para tal, foi necessário reunir a quadrilha perfeita - que é, sem qualquer hesitação, o charme deste enredo. Os seus elementos estão unidos por passados conturbados, que vamos conhecendo à medida que avançamos na história. E é esta dinâmica que nos faz querer descobrir cada detalhe, cada motivação. Sobretudo, porque o golpe é ambicioso, de uma audácia fora do comum, e este grupo não perpetua uma imagem estereotipada.«(...) olharam-se e riram-se, lavadas e frescas, como se as mágoas e o passado tivessem desaparecido com o rouge e o batom»Neste romance cómico-policial, a sátira é uma das personagens principais. E não deixa de ser surpreendente que a tragédia esteja à espreita. Além disso, mais do que mostrar os bastidores do assalto, acredito que Zambujal acalente dois propósitos com a narrativa: divertir-nos e levar-nos a pensar sobre os fragmentos que compõe a nossa vida e a forma como as nossas escolhas influenciam o percurso que traçamos. E, com subtileza, escreve-nos sobre sonhos, sobre mudanças e sobre encontrar uma família fora dos laços de sangue.«Amizade sincera só a encontrou quando bateu à porta de Renato e Marlene»Crónica dos Bons Malandros é um livro escrito sem pudores. Com bagagens distintas, que se cruzam no momento certo, e um final inesperado, permanece uma certeza: há [bons] malandros que nos comovem.«(...) o fim do mundo na Duque de Loulé»Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥
Texto originalmente publicado em Entre Margens