Fotografia da minha autoria

«Um desdobramento magistral de personagens estranhas e únicas»

Avisos de Conteúdo: Preconceito

O conceito de família é vasto, é infinito e é mais dependente do amor do que do sangue. Porque é este dialeto que nos permite reconhecer na visão do outro, quase como se estivéssemos a fundamentar uma das célebres frases de Exupéry: Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Mas a família, ainda que criada, permanece. E talvez seja essa a mensagem de Valter Hugo Mãe.

«Era o que mais queria dizer. Queria dizer meu filho, como 

se a partir da pronúncia de tais palavras pudesse criar alguém»

O Filho de Mil Homens é um símbolo de libertação. É uma viagem fascinante - e emocional - pela vida de personagens incompletas, que procuram algo e que têm mais em comum do que, num momento inicial, aparentam. Assim, deambulando pelas suas particularidades, compreendemos que há sonhos com uma força extraordinária, ao ponto de nos incentivarem a agir, a partir, mesmo que essa decisão implique estranheza e comentários adversos, condescendentes e, inclusive, retrógrados - mas até isso vão aprender a silenciar.

«Não podia ser que o amor tornasse as pessoas 

diferentes assim, a menos que não fosse amor nenhum»

A sensibilidade com que Mãe escreve é desarmante, porque amplia tudo aquilo que as suas palavras nos fazem sentir, tornando-se um relato visceral. Embora este não seja o meu romance favorito, é inegável que nos embala numa prosa poética a transbordar de afetos. Além disso, permite-nos viajar até à essência de cada protagonista, descobrindo uma capacidade de superação sublime. E absolutamente bela. Porque nos mostra uma pluralidade de sensações, alegrias, anseios, ilusões, amores e desamores que norteiam os seus passos.

«(...) e outra vez quis ser o que não era»

Nesta narrativa, chega a um ponto em que todas as encruzilhadas se coadunam, num lirismo inspirador, como se fosse a ordem natural do destino. No entanto, também transparece o peso do preconceito. Mas é através das vozes com que nos cruzamos que percebemos a importância da auto aceitação, porque nos liberta de julgamentos sem sentido. Marcada pela solidão e pela pertença - sempre tão íntimas -, pelo desejo de encontrarmos o nosso lugar, há um pensamento precioso: a vontade de amar quebra todas as barreiras.

«nunca limites o amor, filho, nunca por preconceito algum limites o amor»

O Filho de Mil Homens é um porto seguro. É aquele abraço-casa que nos faz reconhecer que as diferenças não são um elo de exclusão. Nesta jornada transformadora, aprendemos a resistir e a sermos felizes, pois há esperança na evolução - sobretudo, das mentalidades. E no cuidado partilhado. Porque nos pertencemos.

«Tratava as coisas todas como se as coisas todas fossem para melhorar»

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