Fotografia da minha autoria

«Não existe evolução sem mudanças»

A identidade camaleónica da Blogosfera permite-lhe adaptar-se à mudança e às necessidades dos seus autores e criadores de conteúdo, porque há novos critérios e exigências criativas. Um olhar mais atento. Uma vontade mais intensa de partilhar com originalidade. E tudo isso é uma consequência natural, atendendo ao crescimento desta plataforma e à própria atitude de quem escreve. E estranho seria se, durante dez anos, não existissem transformações.

A começar pelos designs mais minimalistas e intuitivos e pela aposta em ferramentas com distintas funcionalidades, sinto que houve uma tentativa - e consequente conquista - de profissionalizar os blogues. O que não significa que tenha adquirido uma vertente única de negócio. Houve, sim, uma predisposição para que essa dinâmica fosse uma possibilidade. Portanto, tenho verificado um cuidado maior nesse sentido. E na priorização de um ambiente harmonioso, com opções que abranjam a singularidade de todos os elementos. Além disso, do pouco que vou descobrindo, acredito que há uma quebra de padrões. E um respeito cada vez maior pela diversidade. Esta consciencialização transmite ainda mais esperança para um futuro plural, porque há espaço para todos. E, melhor, há lugar para que cada pessoa faça sobressair a sua voz, sem ter que camuflar a sua personalidade.

// Prós e contras da blogosfera nestes últimos dez anos //

É interessante analisar o objetivo e a gestão que cada blogue apresenta. Há quem o utilize como um diário virtual. Há quem aproveite as suas potencialidades para desenvolver projetos. Há quem o dinamize para explorar gostos e paixões pessoais. E há quem seja capaz de combinar estes três perfis - e certamente que existirão muitos mais. Por isso, para mim, uma das vantagens mais bonitas deste meio é mesmo a diversidade. É cruzar-me com partilhas inspiradoras sobre as mais distintas áreas de interesse e ter a oportunidade de contactar com seres humanos tão diferentes e com uma mensagem tão própria. Sei que me repito, mas o melhor desta comunidade online é o privilégio de estar ligada a pessoas criativas e cheias de bichos carpinteiros na alma, porque lhes reconheço um vínculo que não dispenso. Noutra perspetiva, não posso deixar de destacar a oferta dentro de cada plataforma, uma vez que, independentemente da casa que escolhamos - Blogger, Sapo, Wordpress,... -, não falta investimento por parte das entidades que as sustentam. E esta evolução também se deve a esse empenho. Por oposição, um dos contras que mais me incomoda é a competição. Tendo em conta que se leva a criação de conteúdo mais a sério, parece também existir uma necessidade de superiorização; uma procura incessante por se ser melhor e ter publicações mais relevantes. Outro aspeto prende-se com o ruído que mencionei neste texto. E, por fim, numa vertente mais intimista, existem ainda as despedidas. Porque se desenvolvem elos especiais. Por isso, ver uma dessas pessoas a ausentar-se é sempre doloroso.

// O destaque que se dá a blogues de figuras públicas //

As características da Blogosfera e a sua crescente evolução acabam por atrair pessoas de vários contextos, incluindo figuras públicas, que podem usar a plataforma para promover o seu trabalho ou, simplesmente, para explorar outras valências. Porque nós não somos uma só coisa. Embora possamos ser mais talentosos e hábeis em determinadas artes, isso não significa que não possamos experimentar outras. O destaque atribuído aos seus blogues, honestamente, não deixa de ser uma consequência natural do seu estatuto. Porque, enquanto figuras públicas, são alvos de uma maior exposição. E mesmo que pretendam um espaços mais recatado, que as permita desligar do quotidiano frenético, não é fácil e nunca terão um retorno mais anónimo - se é que podemos designá-lo desta forma. Agora, não é por serem figuras públicas que têm mais ou menos mérito, mais ou menos qualidade. Isso está diretamente relacionado com o conteúdo e com a maneira como é trabalhado. Não me choca, de todo, a visibilidade que têm - precisamente por considerar natural -, mas acredito que não se deva creditar ou desvalorizar o blogue em questão apenas pelo facto de o seu autor ser ou não conhecido do grande público. Enquanto leitores, cabe-nos a tarefa de saber filtrar o que nos inspira, valorizando-o e destacando-o, independentemente de rótulos.

A linha temporal que abraço permitiu-me observar e vivenciar inúmeras alterações. Algumas com mais propriedade e sentido do que outras, mas todas foram cruciais para descobrir o meu lugar. E para compreender que nada neste ambiente é estanque. Porque é feito de e para pessoas. E nós estamos em constante metamorfose.