Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Uma surpresa. Encontrei esse livro em um sebo em Brasília e não titubeei: adquiri-o imediatamente. Hoje viajei a trabalho e, sabendo que teria à minha disposição um tempo razoável, resolvi iniciar a leitura do romance. Não é que hoje mesmo terminei?

O livro foi escrito em 1954, pelo inglês William Golding, vencedor do Premio Nobel de Literatura. A história é uma espécie de fábula, e soará bastante familiar a quem tiver lido “A Revolução dos Bichos”, de Orwell. Alguns garotos de um colégio (ou de vários colégios) viajavam de avião, que acaba caindo em uma ilha. Não é explicado no livro como exatamente essas crianças sobreviveram sem um arranhão, nem como não há sinal do avião na ilha, mas certamente isso faz parte da alegoria da qual o autor se utiliza.

Há diversos simbolismos na história, a começar pelo título do romance, que é, etimologicamente, o significado de Belzebu, sinônimo para o diabo. A ilha parece representar o paraíso, pois, ao tomarem conhecimento de que estão ali sem a supervisão de qualquer adulto, as crianças têm a impressão de que serão eternamente felizes, até que vem à tona a imagem do “bicho”, que, primeiramente, é descrito como “bicho-serpente”, alusão óbvia à serpente que levou Adão e Eva a cometerem o pecado original.

Há alguns estereótipos na história: Porquinho, o inteligente, Ralph, o carismático, e Jack, o caçador, que se sobrepõe pela força. O autor também esboça a criação dos mitos, o surgimento da maldade, a necessidade de rituais, a selvageria nascendo da falta de esperança.

Trata-se de uma leitura rápida, mas a reflexão que se segue é mais duradoura. Não espere finais felizes.