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Jul24

Elsa Filipe

Apesar de já ter ouvido falar do escritor e de conhecer alguns excertos da sua obra, confesso que este foi o primeiro livro de Jorge Amado que li na totalidade. A obra, considerada como um clássico da literatura brasileira, foi publicada pela primeira vez em 1959, mas é a versão revista pela filha do escritor que chega até mim. 

Neste livro, é contada a história de Joaquim Soares da Cunha, um respeitável cidadão, funcionário público, com uma vida tranquila, casado e com filhos, que um determinado dia resolve mudar de vida. Sai de casa e abandona a família, passando a viver como um vagabundo, entregando-se à bebida. Acaba por receber a alcunha de Quincas Berro D'água.

Um dia, uma amiga a quem ele tinha prometido umas ervas, passa pelo seu quarto para as ir buscar e encontra Quincas já sem vida. Depois de confirmada a morte, os seus familiares resolvem fazer um velório com o mínimo de dignidade mas sem gastar muito e, durante algumas horas tentam esquecer o passado vergonhoso do familiar defunto. De acordo com a família, ao morrer, Quincas deixara de ser um vagabundo e voltara a ser aquele antigo e respeitável Joaquim Soares da Cunha, de boa família e um funcionário exemplar. No entanto, são surpreendidos por um curioso grupo que entra para velar o morto e que se dizem amigos de Quincas. Estranhamente, o morto apresenta um insondável sorriso e, quando se vêem a sós com ele, tamanha é a bebedeira que o tomam como ainda estando vivo. O grupo, despe a fatiota ao morto e volta a vestir-lhe os andrajosos trajes que usava à data da morte e leva-o a passear pelas ruas, festejando o seu aniversário. A certa altura, entre tantas boas ideias, decidem usar um barco para dar um passeio, levando o defundo com eles para bordo. Mas a noite piora e uma tempestade atinge a embarcação, acabando por lançar o corpo borda fora, dando a Quincas a sua "segunda" morte, mas desta vez, como ele desejava - a navegar.

Um livro engraçado, quase caricaturizando a sociedade da Baía, que nos aponta as diferenças entre duas classes sociais que de certa forma se opõem, em que uma vive de aparências, subjugando-se à opinião dos outros, em oposição a outra que vive do momento e da amizade verdadeira, sem se importar tanto com as consequências das suas ações nem do que quer que os outros vão pensar. 

Tenho outras obras do autor à espera de leitura. Jorge Amado nasceu e cresceu no Brasil, tendo deixado uma grande obra literária.