18
Jul23
Maria do Rosário Pedreira
Confesso que não sou muito de ler contos (mesmo recordando ainda muitíssimo bem alguns contos de autores de que gosto, como Borges ou D. H. Lawrence, por exemplo); mas estava curiosa com uma escritora argentina de quem alguns amigos seus conterrâneos já me falavam há anos e que ainda não tinha «experimentado». Samantha Shweblin é autora também de um romance que já foi finalista do Man Booker Prize Internacional, Distância de Segurança, mas foram sempre os seus contos, realmente magníficos, que a celebrizaram. Em Sete Casas Vazias, o primeiro que leio da argentina, a surpresa residiu sobretudo num estilo que é muito mais próximo da literatura norte-americana do que da latina-americana; mas neste caso é um bom sinal, lembrou-me até um pouco a querida Elizabeth Strout e a sua aparente simplicidade. De qualquer modo, as histórias são incríveis e desconcertantes, sobretudo a primeira, em que uma mãe demente invade uma casa alheia e, além de se deitar no chão, meter-se na casa de banho dos estranhos e mexer em tudo, traz para casa um açucareiro que tinha um valor estimativo incalculável para a sua dona. Sete Casas Vazias, cuja tradução é assinada por Isabel Petterman, são sete histórias de casas que podem ser algo claustrofóbicas e cujos finais são sempre ao contrário do que esperamos. O livro ganhou o National Award nos EUA e realmente Samantha é mestre no género.