Vou ao Amadora BD há vários anos, sendo para mim sempre um highlight do mês de Outubro (este ano também parte de Novembro).
Por motivos pessoais (saúde da minha cadela), não consegui ir ao Folio conforme tinha planeado; foi um mês muito triste. Mas consegui ir ao Amadora BD, que também é bem mais perto, como tenho ido anualmente sem falha desde 2018 (tendo a minha estreia sido em 2000).
O Amadora BD é o maior e o mais antigo festival de BD em Portugal, e também o que me fica mais próximo de casa. Os eventos de BD têm proliferado e crescido em Portugal nos últimos anos. Além deste, já fui ao de Beja três vezes; gosto do intimismo em Beja, mas não do calor.
Algumas notas:
Fui dias 25 de Outubro e 1 de Novembro.
No primeiro dia que fui, vi a exposição, assisti a alguns painéis/conversas (destaque para Cy) e espreitei a tenda de jogos. A tenda de jogos tinha visivelmente menos jogos, ou assim achei, e uma secção outrora inexistente com merch. Tive pena de não ter jogado Pacman, Sonic ou King of Fighters este ano - senti que havia pouca oferta de jogos vintage, mas posso ter sido eu. No dia 1, regressei pelas conversas com Bea Lema e Zeina Abirached.
Em 2017, passei uma temporada em Paris em trabalho, e visitei a exposição René Goscinny. Au-delà du rire, da qual gostei muito porque detalhava a vida e a obra do autor. Quando temos exposições que, mais que uma obra, são sobre um autor, gostaria de ver uma retrospectiva e uma pequena biografia do visado. Acho que muitas das exposições poderiam ser enriquecidas desta forma, mas talvez não seja uma opinião popular, até pela dimensão do espaço de cada exposição.
Houve 150 anos de Zé Povinho, 85 de Spirit, 75 de Peanuts e 65 de Justice League: soube muito a edição comemorativa, acho, especialmente quando há tanta coisa entusiasmante a acontecer actualmente. Destaque muito positivo para a exposição de Radium Girls, de Cy, que achei muito bem conseguida tanto no quarto escuro como na explicação com a cronologia; de Corpo de Cristo, de Bea Lema, com os originais bordados, que revelou muito sobre o processo criativo; e a sobre a obra de Zeina Abirached, com a música libanesa de fundo. Só tinha lido, de todas as três artistas, A Dança das Andorinhas (opinião aqui), e entre as exposições, o interesse anterior que já tinha e os debates, acabei por trazer livros das duas primeiras e fiquei com esta edição d’O Profeta debaixo de olho, já tendo lido o texto original há vários anos.
Fui uma única vez às exposições na Artur Bual e na Bedeteca nestes anos todos desde que o evento mudou de localização. É giro essas exposições serem de entrada livre para qualquer um, é chato serem significativamente distantes umas das outras e em zonas muito pouco estacionáveis. Talvez por antes estar tudo junto, a exposição na localização anterior ocupava muito mais tempo e parecia melhor. Acho que o Amadora BD merecia um novo espaço, mais amplo, melhor, e com melhor estacionamento, que com jogos do Damaiense ao fim de semana fica muito complicado.
Dia 25 esteve péssimo tempo e, ainda assim, pelas 17h, quando eu saí estava uma enorme fila para a bilheteira! Fico muito feliz por ver que o interesse no evento é assim tanto.
Adoro o café grátis, o brinde da Fruut (natural e vegan friendly) e, este ano, a água da torneira da SMAS. Consegui Corpo de Cristo autografado. Gosto sempre muito da parte das exposições relativa aos concursos municipais de BD. A wishlist voltou maior. E é sempre bom trocar uns dedos de conversa com os editores.

