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| Fotografia da minha autoria |
«A irritação é a última defesa»
O termo pet peevs, num cenário mais lato, refere-se às pequenas implicâncias que temos em relação a um assunto. Podem não nos afastar dele em definitivo, mas desencadeiam antipatias mínimas que nos incomodam - e que alteraríamos, caso tivéssemos essa oportunidade. E nem os livros, esses objetos mágicos, escapam.
No episódio 25, do podcast Só Se Estraga Uma Estante, a Ana e o Tomé partilharam as suas irritações nos livros. Inspirada por eles, até porque temos pontos comuns, também estruturei a minha lista com coisas que não me distanciam, em pleno, dos manuscritos, mas que me fazem revirar os olhos com uma certa frequência.
CAPAS QUE SÃO AS IMAGENS DOS FILMES
É raro assistir às adaptações cinematográficas, só por isso, já me incomoda, porque não estou alinhada com o contexto. Depois, gosto de ter margem para imaginar os protagonistas, sem estar presa ao ator/ à atriz. Se vier em modo capa removível, menos mal, porque posso deitar essa fora, o problema é quando é capa original.
CAPAS QUE NÃO SE RELACIONAM COM A HISTÓRIA
Acho ótimo que se explore o lado criativo numa capa, até porque convém que seja apelativa - e todos sabemos que comprar um livro pela capa acontece e é válido. Não obstante, espero que haja uma ligação com a história. Não precisa de ser óbvia, mas faz-me uma certa confusão estar a ler e sentir que não há qualquer vínculo.
LETRAS VIRADAS AO CONTRÁRIO NA LOMBADA
A maior parte dos meus livros está disposta na vertical. No entanto, quando sinto necessidade de os pôr na horizontal, irrita-me que as letras do título/nome do autor fiquem ao contrário, porque isso obriga-me a pousá-los com a capa para baixo e não me faz sentido. Nestes casos, tenho de pôr sempre outro livro por cima.
LETRA DEMASIADO PEQUENA
Esta explica-se sozinha, creio, mas vou só reforçar um pensamento: não acho confortável ter narrativas com letras demasiado pequenas, já que parece que perdemos mais tempo a forçar a vista do que a ler.
MARGENS QUASE INEXISTENTES
No segmento do ponto anterior, lembrei-me das margens quase inexistentes, como se as letras fossem uma linha interminável, obrigando-nos a quebrar a lombada para conseguirmos ler tudo. Surpreendentemente ou não, ver a lombada quebrada não me incomoda, até acho que dá um certo charme ao livro, porque mostra que foi vivido. Porém, dobrá-lo todo, ao ponto de sentir que o estou a rasgar, não me entusiasma por aí além.
SAGAS COM FORMATOS DIFERENTES
Seja no tamanho, no design ou na letra. Sendo um universo que se prolonga por mais do que um livro, aprecio que mantenha a mesma estética, uma vez que esse aspeto também conta uma história. Além disso, irrita-me que tenham os primeiros livros em edição normal e em edição de bolso e deixem de apostar numa delas. Isso aconteceu-me com a Saga Millennium, cujos quatro primeiros volumes voltei a comprar, para não ficar com esses em edição de bolso e os restantes em edição normal - deixarem de traduzir sagas também me enerva.
LIVROS SEM CAPÍTULOS
Nem peço que exista uma paginação diferente para marcar o início de um novo capítulo, já me basta que haja um símbolo. Não existir nada que faça essa distinção é que me mexe um pouco com os nervos, porque parece que nem conseguimos respirar. Além disso, acho que se torna mais difícil absorver o que é dito, porque não nos convida a parar, a refletir. Caso não possamos manter um ritmo de leitura diário - ou regular, pelo menos -, penso que esta estrutura também potencia a que percamos o fio condutor e que seja difícil avançar.
