19
Mai21
Maria do Rosário Pedreira
Existe um Prémio da União Europeia para a Literatura (EUPL) que, no passado, já foi ganho em Portugal por Dulce Maria Cardoso, Afonso Cruz e David Machado, entre outros. Não contempla todos os anos os mesmos países (alguns dos quais não pertencem sequer à União Europeia, como a Albânia ou a Arménia), mas 2021 era ano de premiar de novo um escritor de Portugal. Cada país concorrente tem o seu próprio júri, que também muda de vez para vez; escolhe entre os candidatos, geralmente poucos, que têm de obedecer a regras apertadas, como, por exemplo, ter entre dois e quatro livros (nem mais, nem menos) e estar pouco traduzidos no espaço europeu. No ano em que ganhou David Machado (2015, creio), o júri nacional comunicava a sua decisão à Europa e a Europa comunicava-a ao vencedor, chamava-o a Bruxelas, gravava um vídeo com ele a apresentar o livro, traduzia excertos do seu romance para o promover noutros países, enfim, um trabalho que era bastante produtivo e que acabou por conseguir uma dúzia de traduções do romance. Mas depois do diabo da pandemia as coisas já não se passaram assim: introduziram finalistas (quatro), quiçá para criar suspense e notícias, e organizaram o anúncio... pelo Facebook, que é onde hoje as pessoas mais tempo estão. Entre os quatro finalistas portugueses, estavam dois romances que publiquei no ano passado, um romance de uma autora de quem já fui editora e um romance de um escritor que tem o meu apelido, mas não me é nada: Frederico Pedreira. Foi ele o vencedor com o romance A Lição do Sonâmbulo, publicado pela Companhia das Ilhas. Conheço-o sobretudo como poeta. Parabéns.