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| Fotografia da minha autoria |
Tema: Por que motivo[s] escreves?
O meu peito podia ser um caderno, porque é feito de palavras, palavrinhas e palavrões - porque não? -. Há um vínculo quase umbilical, porque é o dialeto que me completa e impulsiona, sobretudo, quando me expresso por escrito. Aí, sou eu em pleno. Sem barreiras e sem hesitações. Apenas com vontade de fazer voar a minha imaginação.
A minha caminhada escrita começou cedo, ainda antes de entrar para a escola primária, através de versos rimados e inocentes. Mais tarde, aventurei-me nos contos e nas histórias mais longas, mas mantendo uma certa predileção pela poesia. No entanto, à semelhança de tantas outras vertentes na nossa vida, esta arte foi sofrendo metamorfoses e eu fui-me aproximando de novos registos. E passei a brincar, saltitando entre eles, sem me levar demasiado a sério. Porque as emoções, mais do que a técnica, é a minha verdadeira motivação, atendendo a que tenho de sentir cada tema em que me divida, para ser sempre a versão que almejo e preserve a autenticidade que não me permito descurar, porque isso implicaria largar a mão do que sou.
Hiperbolizo ao referir que escrevo desde o berço. Contudo, é uma parte imprescindível de mim. E faço-o pelos motivos mais distintos, que acabam por se unir em simbiose. Porque não tem de existir uma só razão. E há momentos em que as experiencio a todas, como se fossem parte de uma linha contínua e consequente. Mas essa imprevisibilidade será sempre o traço mais bonito do que nos leva a escrever. E eu...
Escrevo sem razão
Escrevo quando me aperta o coração
Escrevo por lazer
Escrevo sempre que me apetecer
Escrevo à mão
Em permanente divagação
Escrevo quando sinto que tenho algo a dizer
Mesmo que ninguém queira saber
Escrevo para libertar a alma
Ou, apenas, para perpetuar a calma
Escrevo porque é parte de mim
E eu só sei ser assim
Escrevo para comunicar
E ir para onde cada palavra me levar
Escrevo
Só e apenas porque sou livro aberto
À espera de completar o puzzle
Em que me fragmento
Porque a escrita é a minha saída
O meu bilhete de ida
Mesmo que vá em contramão
Escrever é um processo íntimo, mas também é uma partilha; é uma janela que abrimos para que nos compreendam. Por isso, independentemente de todos os motivos que surjam em paralelo, escrevo porque o sinto.
