Terminei hoje a leitura do romance "O almirante português", escrito por Jorge Moreira Silva e que nos narra de que forma os marinheiros portugueses, iam conseguindo sobreviver ao início das guerras napoleónicas.

Um romance construído sobre factos históricos que é fruto de uma intensa investigação sobre a nossa história naval que nos vai relatando a participação da força portuguesa e de Moreira Freire (o Marquês de Nisa) na Campanha do Mediterrâneo, ao lado da esquadra britânica de Lord Nelson, passando pelo bloqueio da ilha de Malta, pelo combate aos piratas sarracenos e pela reconquista de Nápoles. Tendo como pano de fundo a Campanha do Egito, a segunda invasão francesa de Itália e os dramáticos dias da República Napolitana, é na pitoresca Nápoles que assistimos ao desenrolar da vida aventurosa de várias personagens, cujos destinos se cruzam de forma indelével e que ali se encontram. Um livro que também nos conta sobre atos de traição e de heroísmo, de paixão e inveja, de vingança e de perdão. 

Jorge Moreira Silva, mestre em História Marítima, consegue descrever, não apenas as batalhas do ponto de vista marítimo, mas também a forma como a guerra era decidida a bordo, com acordos de honra mas também com situações de espionagem e de traição, o que sendo ele também marinheiro e Capitão-de-fragata, e tendo servido o seu país em várias missões, nos traz uma perspetiva diferente sobre os acontecimentos.

O autor, Jorge Moreira Silva, conta-nos a saga de uma das esquadras portuguesas que lutou sob o comando do almirante Marquês de Nisa, na campanha do Mediterrâneo, ao lado da esquadra britânica de Lord Nelson. Como já devem ter percebido, o estilo que mais me atrai na escrita é precisamente a narrativa, em especial os romances históricos, onde posso conhecer a história do nosso país, da construção e queda de um império, das relações com outros povos e com outros países, de perspetivas diferentes consoante o autor. E por isso, quando tomei contato com este título, logo logo senti vontade de o ler.

A história desenrola-se num ambiente de permanente tensão, que é pontuado por episódios de intriga, paixão, heroísmo e traição que trazem à narrativa um ritmo próprio e nos fazem ficar agarrados aos acontecimentos. Os dramáticos dias da República Napolitana, são o pano de fundo desta história, apesar de a maioria dos seus intervenientes serem lusitanos.

Entretanto, vamos acompanhando o desenrolar da vida amorosa de várias personagens, cujos destinos se cruzam de forma indelével e aventurosa. Uma das coisas que mais me agradou neste livro foi a forma como o autor interligou a realidade ao próprio enredo, sem perder a verdadeira essência do romance histórico, mas dando às  personagens relacionamentos que criaram neste livro um conteúdo mais atrativo. O aparecimento dos piratas mouros e o rapto de uma jovem rapariga açoriana, foi uma das partes da história que mais me custou ler, sou sincera, mas que me trouxe um choque com a realidade da época e das caraterísticas das relações entre estes povos.

Este livro vem também relembrar a coragem das forças navais portuguesas em oposição a Bonaparte.