Parece que abandonei de vez este blog, mas o que aconteceu é que estive de cama com uma gripe. Fui acompanhando silenciosamente o estado da nação: com os seus interessantes debates sobre se existe racismo ou não em Portugal, não consegui evitar uma gargalhada febril perante esta questão. É incrível o quanto ainda vivemos iludidos, continuando a procurar refúgio debaixo do sinistro guarda-chuva do país de brandos costumes. Nunca houve momento algum da História em que esta expressão tenha sido verdade...Certamente não para um negro, uma mulher ou um animal. Vi o Festival RTP da Canção por alto e já perdi o sono a pensar quem é o Barber...Ao contrário da maioria eu não sou fã dessa música. Senti o clamor de todas as jornalistas que agora podem finalmente deixar cair a palavra alegado antes da palavra violador quando se referem a certas """pessoas""" e quando vi o novo clip da Taylor o meu coração deu um salto: não há um único segundo ali que não seja certeiro. Aproveitei para despachar três leituras que estavam pendentes - os livros parecem realmente ser agora a única forma segura de viajar. As máscaras estão esgotadas aqui na farmácia local.
De volta com assuntos
racismo em Portugal, saúde, cultura pop, literatura, crítica social
Texto originalmente publicado em Desabafos Agridoces