Fotografia da minha autoria

Tema: Um livro infanto-juvenil

O meu berço. A cidade onde nasci e vivi uma vida inteira, com perspetiva de continuar a fazê-lo por tempo indefinido. E sendo o meu abraço-casa, naturalmente, só poderia dar palco ao tema do mês que mais associo a regressos, a recomeços. Portanto, em setembro, para o Alma Lusitana, entrelaço as minhas mãos a Vila Nova de Gaia e recuo à infância, para me perder no mais recente livro infanto-juvenil de Nuno Camarneiro.

«Veem as lulas que dançam devagarinho, um farol que pisca-pisca 

e ao longe os montes que hão de escalar se um dia ganharem pernas»

O Que Veem as Estrelas parte do desejo do autor em juntar o lado científico com o lado literário, explorando a nossa imaginação. Além disso, é evidente o quanto incentiva os leitores a partirem do real, para conjeturarem o que não está lá, por ser tão magnético e estimulante idealizar novas perspetivas, formas e realidades. Assim, centrados no mesmo contexto, compreendemos que as possibilidades que nos reserva são infinitas, desde que aprendamos a deslocar o nosso olhar, sem qualquer tipo de receio, «para aquilo que, por norma, não vemos».

«- Vou olhar para dentro dos teus olhos. O que queres saber?»

Esta obra, cuja estruturação textual não é igual em todas as páginas, corroborando a necessidade de invertermos a panorâmica e de a observarmos com outros horizontes, atribui voz à criança curiosa, que dá asas às suas questões e procura conhecer mais do mundo que a rodeia. Porque isso faz parte do seu processo de crescimento e é fundamental para fomentar a sua identidade. Através de ilustrações lindas, que complementam a dinâmica narrativa, sentimo-nos a caminhar pelo desconhecido e a retirar prazer do incerto.

«- O coração vê as pessoas para lá do que elas são»

O Que Veem as Estrelas é uma proposta literária para crianças - mas também para adultos -, potenciando uma viagem intimista, de dentro para fora, e divertida. Porque aquilo que nos envolve tem imensos pormenores indecifráveis, alimentados pelos nossos sonhos, priorizando espaço para sermos sempre surpreendidos.

«- E tu, também vês tudo o que há para ver? 

É para isso que servem os cientistas?»

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