Bons livros, maus livros...
Literatura, Hábitos de leitura, Crítica literária, Subjetividade na leitura, Mercado editorial
No outro dia, em conversa com uma menina, enquanto ela me falava da “forma” e do “estilo” dos livros eu falava-lhe da história e do que sentia em relação aos livros. Apesar da mesma paixão pelos livros cada uma de nós olha-os de forma diferente. Ela foi ensinada a ler um livro sob determinada perspectiva devido à formação académica que tem. Eu aprendi a amar os livros através dos próprios livros e através dos conselhos dos amigos e família.E é engraçado como somos diferentes, como a nossa opinião é oposta relativamente a tanta coisa.A maioria das pessoas que gosta de livros tem a sua opinião em relação aos escritores, aos vários estilos literários e ao tipo de livro que considera “bom” ou “mau”. E é mais ou menos geral falar-se da Margarida Rebelo Pinto como uma escritora de maus livros. Leio e ouço tantas vezes expressões do género “As Margaridas Rebelo Pinto deste mundo….” que chega a irritar-me.Não estou aqui a dizer que a senhora escreve bem ou mal, que gosto ou deixo de gostar dos livros dela, que os considero uma obra prima da literatura Portuguesa ou o género de livro que não perco tempo a ler. Mas a verdade é que os livros da senhora se vendem como batatas fritas e mesmo considerando que são lidos apenas uma percentagem dos livros comprados ou oferecidos, os livros dela são dos mais lidos por cá.E esse valor ninguém lhe pode tirar. Ela pôs muita gente a ler. E isso é sempre positivo. Ainda me lembro bem do furor que o “sei lá” fez. Em Portugal muitos escritores escrevem apenas para uma elite que lhes aprecia o estilo e escrita. A grande maioria das pessoas não gosta e não tem paciência para ler livros estranhos, com palavras de “sete e quinhentos”, com frases inacabadas (quando li o “cemitério de pianos” de José Luis Peixoto, aquilo já me estava a irritar) ou com outras liberdades literárias que só são permitidas aos “grandes” de quem os críticos gostam.Eu acho que ler é fantástico e já vos disse que não sou uma leitora muito exigente num post anterior. Tenho, como toda a gente, escritores que venero e outros de quem não posso ouvir falar. O que não sou é pedante ao ponto de achar que os outros têm o direito de gostar daquilo de que eu gosto. E acho mesmo extremamente positivo que haja escritores para todos os gostos.
Texto originalmente publicado em Ler por Aí