PÃO DE FORMA // SISTELO
turismo rural em Portugal, património etnográfico do Minho, paisagem cultural de Sistelo, arquitetura vernácula rural, turismo em tempos de pandemia
Fotografia da minha autoria «É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já» O sonho de percorrer Portugal de Norte a Sul não esmoreceu. Só necessitou de ser reajustado para nos salvaguardarmos, ainda mais, neste período de pandemia. Portanto, como o nosso verão não seria o mesmo sem um piquenique, rumamos até ao município de Arcos de Valdevez, para visitarmos uma das aldeias vencedoras das 7 Maravilhas. Conhecido como o Tibete Português, o Sistelo conquista-nos logo pela sua estrutura. Pela paisagem tão identitária. E pelo centro aconchegante. Os socalcos que marcam toda a panorâmica são centenários e têm a função de «permitir o aproveitamento inteligente da água, para produzir cereais e alimentar o gado». Para além de ser, naturalmente, uma componente de máxima utilidade, também torna a vista memorável, fazendo com que o nosso olhar se perca naquele desenho único, onde Natureza e Homem são quase um só. Nesta pequena aldeia respira-se ar puro, enquanto nos sentimos revitalizados e de alma preenchida de paz. Localizado junto ao rio Vez, um dos maiores focos de atenção deste lugar são os seus trilhos. Salvo erro, existem oito, com diferentes durações e exigências. Desta vez, tendo em conta as temperaturas elevadas, optamos por não nos aventurar, ficando prometido o regresso. Ainda assim, não faltou vontade de arriscar - mas fomos prudentes, garantindo que não condicionávamos a experiência por capricho. Os sons da aldeia foram chamando por nós e, por isso, deixamo-nos guiar pelas suas ruelas, que nos conduziram a outros pontos de bastante interesse. O Castelo do Sistelo é a «jóia da coroa». E não deixa ninguém indiferente. Mandado construir por Manuel Gonçalves Roque, serviu de casa do Visconde e, atualmente, acolhe um centro interpretativo da paisagem cultural. A Igreja Matriz apresenta uma construção pitoresca, sendo um «dos monumentos religiosos mais antigos da região». Os espigueiros, que se espelham um pouco por todo o acesso público - e privado também. Os miradouros. Os lavadouros. As pessoas atenciosas. E uma série de detalhes que tornam este cenário num autêntico encanto. À vista desarmada, o nosso Tibete aparenta possuir pouco território para explorar. Porém, o seu património cultural e etnográfico é imenso. E convida-nos para uma visita demorada. A solo. Ou em família. Já conheciam a aldeia do Sistelo?
Texto originalmente publicado em Entre Margens