por talesforlove, em 13.09.19

De 13 a 15 de Setembro de 2019, pelos 40 anos da Cidade da Amadora (Área Metropolitana de Lisboa), decorre a IV Festa do Livro da Amadora 2019, na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, com entrada livre, das 10h00 às 23h00.

A Amadora tem uma forte ligação à cultura, não apenas literariamente mas sobretudo quando olhamos para a sua história, sempre próxima das artes visuais e da música. No que diz respeito às artes visuais, destaca-se o Festival Internacional da Banda Desenhada e as pinturas nas fachadas dos edifícios, veja-se o trabalho dos instagrammers @ana_gil_, @eyes.of.rita, @filipesj, @ritacordeiro, @voodoolx, @fesvicente e @silviabernardino. Transpira uma certa arte urbana, feita por artistas urbanos e ainda um olhar nostálgico, sobretudo respeitoso, dirigido a figuras do passado, como Fernando Pessoa e Amália Rodrigues.

Veja-se este link:

https://amadoraemfesta.pt/

Continuamos, entretanto, com a poesia de Rosemary B. (Brasil), com o poema:

CONTROLE

Como poderei ser uma árvore frondosa,

Se não reconheço minhas raízes?

Se não me identifico,

Com os primórdios da evolução,

Ou da criação?

Somos nação?

Salvem suas almas!

Perdemos o controle.

Ultrapassamos o tolerável,

E as mentes estão em combustão.

Onde demônios brincam de roda,

Com sedutoras dúvidas em forma de canção.

Fazem chacota com a história,

E enquanto engessam a geração.

Optam pela agonia do passado deplorável,

Lugar incômodo, mas reconhecido.

Acham melhor retroceder.

Os jovens estão divididos,

Entre os rumos variados do poder;

Delirando em imensuráveis sonhos.

Fechem seus olhos,

E entoem um louvor aos injustiçados mortos,

Uma música de ninar aos vivos cegos,

Ou a todos, uma simples e redentora oração.

Somos os novos camaleões,

Na camuflagem salvífica contra irreconhecíveis e sorridentes predadores,

Com dentes pontiagudos, clarificados a lazer.

Estamos caindo, alienados,

Aplaudindo na plateia deste circo de horrores.

Engolindo embalagens plásticas,

De coisas mortas,

De coisas prontas.

O quê estará por trás da porta,

Daquilo que somos induzidos a gostar?

Vamos compartilhar!

É legal, e o mal está na moda!

E a bola azul ainda flutua no vácuo,

Abafado e extremamente quente,

Suspensa pela mão invisível,

Para os que creem e os que também não.

Somos crianças numa imensa creche,

Mal educadas,

Deseducadas,

Nunca educadas,

Que por necessidade ou não,

Roubam o lanche do irmão.

A fome não é minha...

Só creio no que sai na mídia!

Os fatos não me importam,

A moda, as marcas e o controle absoluto sim.

São os objetivos da sociedade que evolui amorfa,

Adornando a própria sepultura,

Dos que se tornam estéreis,

Sem compaixão, sem “Rios Doces”, nem cultura.

Abaixo as singularidades!

Os ignorantes se cansam muito fácil.

O raciocínio exige demasiado esforço.

Deleguem nossas vidas à manipulação televisiva ou a qualquer outro.

Se tudo explodir, talvez seja melhor,

Não teremos  que acordar cedo e ir trabalhar.

O que queremos são cinco segundos de fama,

Contudo, o tempo é escasso para tantos subterfúgios,

Encapsulados e sem sinapses,

Dos que não suportam, temem ou não querem se responsabilizar,

Pelo direito supremo do livre pensar.

Trata-se de um poema que mostra uma ligação profunda entre a realidade social e a ambiental.

Afinal, como garantir a continuidade de um consumo socialmente justificado, se não existir um

conhecimento técnico e social que permita a sua continuidade? Haverá forma sequer de o repensar,

sem criar feridas nas vidas humanas? Continuar a pensar e a viver, com o pano de fundo da degradação climática,

eis aquela que parece ser a realidade a ter em conta.

Para finalizar, apresenta-se um Trailer oficial do filme La La Land, a anunciar, para breve, um olhar mais profundo:

E ainda o filme sobre António Variações:

Obrigado.

Até breve.