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Out21

Maria do Rosário Pedreira

José Carlos Barros, de quem há uns anos publiquei o romance Um Amigo para o Inverno, finalista do Prémio LeYa (leiam-no, por favor!), é quanto a mim um dos mais interessantes poetas da actualidade. Não só os seus livros de poesia são bons, como são cada vez melhores. E têm uma coisa que eu adoro em livros de poesia: não são meras colecções de poemas, são projectos unos, com uma ideia agregadora. Estes de que hoje falo pertencem ao livro Penélope Escreve a Ulisses e congregam uma série de textos dactilografados numa velhinha máquina de escrever. O editor, Guilherme Pires, da Caixa Alta, fez do conjunto um livro quase demasiado belo para ser verdade (talvez até pela sua sensibilidade às velhas máquinas de escrever, que colecciona e repara): um objecto bonito que merece o que tem dentro, ou vice versa. Sei que aqui no blogue está tudo mais virado para a prosa, mas por favor não percam esta pérola, juntem-na ao vosso colar de leituras e, garanto, ficarão mais ricos. Um pequeno exemplo (infelizmente aqui não posso respeitar o tipo de letra de máquina porque as definições do blogue não o permitem), mas há tantos poemas tão simplesmente lindos neste livro que podia ser qualquer outro:

Manhã

A manhã chegava

com os cabelos ainda

desatados

que sabíamos nós do mundo

senão fazer-lhe

uma trança?