"Não me deixes" é daqueles livros fortes. Que nos atingem como um soco em cheio e bos fazem pensar em quantas vezes pudemos estar em situações parecidas e, algo semelhante npos poderia ter acontecido. A personagem principal é uma mãe, Rachel Jenner, que vai passear com o filho para um parque florestal. Por momentos, permite que o filho vá a correr à sua frente para chegar ao baloiço. Esses instantes foram o suficiente para que Ben desaparecesse. No meio do desespero de não saber do paradeiro do filho, da aflição em não saber se ele está vivo, ou morto, Rachel começa a descobrir também coisas do seu passado que lhe tinham sido escondidas.
Há quem acredite que foi ela que fez mal ao filho, de apenas oito anos, outros acreditam que ela não teve culpa. Terá sido apenas distração ou foi algo propositado? A comunicação social ataca em busca de respostas e explora todos os movimentos de Rachel e da família. A própria investigação é posta em causa.
Um livro que nos faz pensar nas muitas crianças que são raptadas, que desaparecem pelos mais variados motivos e que acabam por nunca ser encontrados a tempo. Quais as razões que levam alguém a raptar uma criança? Um livro que também nos mostra a forma como o FBI conduz a investigação, quais as informações que são transmitidas e as que não são, de que forma a própria mãe é tratada pelos investigadores, pela própria comunicação social e pela opinião pública em geral.
Gostei bastante da forma de Gilly descrever os cenários e os diálogos entre os vários intervenientes, interligando-os de forma sublime e cativadora, despertando o interesse de ler sempre mais um pouico. No entanto, pelo meio do enredo é feita uma discrição das consultas entre um dos investigadores e a psicóloga que o acompanha, a qual pode ser um pouco maçadora na minha opinião e não acrescentando grandes factos à narrativa.