Estou finalizando uma pós-graduação que é um rio. E quem quer o fim do rio? Sibélia Zanon* Não estou no mar. Estou na cidade. Mais precisamente na beira do rio, parada no trânsito da Marginal Tietê. Mas, estou sentindo cheiro de mar. Acho que é o sal. O tempero da vida, que mora também dentro da lágrima e dentro da fome – fome por tudo o que ainda pode começar. Todo fechamento de ciclo tem cheiro de mar. Estou finalizando uma pós-graduação que é um rio. E quem quer o fim do rio? A gente só quer desdobramentos, afluentes, pequenos braços gotejando vertentes do conhecimento ou do desconhecido. É de tanta raiz e de tanto dossel a travessia. Raiz de sumaúma no igarapé. Dossel sem fim para se perder do horizonte. Ainda não sei me explicar. Tenho que sair da Marginal. Mas, ainda sou margem, ainda não sou rio. Estou sentindo cheiro de mar. Acho que é o sal. O tempero da vida, que mora também dentro da lágrima e dentro da fome – fome por tudo o que ainda pode começar. Todo fechamento de ciclo tem cheiro de mar. Sigo marejando… pelas margens. Sibélia Zanon* é jornalista e escritora, autora de Espiando pela fresta e Casca Vazia. .