Fotografia da minha autoria«Não peço que compreendas. Dou-te o benefício da dúvida por algo que nem eu própria consigo perceber»Avisos de Conteúdo: Preconceito, Negligência Parental, Doença ProgressivaO futuro, por mais que tentemos construí-lo com bases sólidas, é sempre imprevisível, até porque nos leva por caminhos que nunca percorremos. Ou será que não é bem assim? É isso que vamos descobrir no livro do Diogo Simões, que nos demonstra que existem acasos que, talvez, não sejam tão fortuitos como aparentam.UMA HISTÓRIA COM IMENSO POTENCIALO Que Nos Magoa interliga a vida de duas pessoas - Francisca e Daniel - com um historial familiar complexo. E é nesse cenário antagónico que compreenderemos aquilo que os une, mas também o peso que o preconceito terá nesta relação, nem sempre intencional, mas presente, fomentando um fosso que se procura diminuir.«Medo. Era o que tinha. Forjado pelo que fora acreditando ao longo da vida, de que uma relação nunca resultaria»A história tem imenso potencial, atendendo a que toca problemas sociais extremamente pertinentes, como a negligência parental, a criminalidade e a marginalização da comunidade cigana. No entanto, reconheço, estava à espera de encontrar estas temáticas mais desenvolvidas e com uma mensagem social mais vincada, contribuindo para a quebra de certos estigmas ao invés de reforçar, negativamente, esses estereótipos. Porque a narrativa tem as ferramentas adequadas para essa abordagem e, creio, elevar-se-ia, caso a privilegiasse.«Abracei-o, sentindo-me, pela primeira vez na vida, descansada»O Que Nos Magoa fica marcado por algumas pontas soltas e respostas que gostaria de ver explanadas. E, lamentavelmente, peca pela fraca revisão, que condiciona o trabalho do autor. Por outro lado, apresenta vozes secundárias que nos comovem e um cenário português que nos aproxima do enredo. Além disso, faz-nos refletir sobre o valor da honestidade e sobre o impacto que o passado continua a ter na nossa identidade.«Foi o olhar que bastou para desencadear uma memória que o meu inconsciente lutara para não ser verdade...»