"Eternidade (The Immortals 1)", de Alyson Noël (Edições Gailivro)

Sinopse:

Entrem num mundo encantador onde o verdadeiro amor nunca morre... Depois de um terrível acidente que lhe matou a família, Ever Bloom, de dezasseis anos, consegue ver as auras das pessoas que a rodeiam, ouvir os seus pensamentos e conhecer a história da vida de qualquer pessoa através de um simples toque. Desviando-se, sempre que possível, no sentido de evitar qualquer contacto humano e de esconder esses dons, Ever é vista como uma anormal na escola secundária à qual regressa. Mas tudo muda, quando conhece Damen Auguste. Damen é encantador, exótico e rico. E é a única pessoa que consegue silenciar o ruído e as manifestações de energia que invadem a cabeça de Ever. Ele transporta uma magia tão intensa que parece conseguir ler a alma de Ever. À medida que Ever é arrastada para o sedutor mundo de Damen, onde abundam os segredos e os mistérios, começam a surgir-lhe mais perguntas do que respostas. Além de que não faz ideia de quem realmente é... ou daquilo que é. Apenas sabe que se está a apaixonar desesperadamente.

Opinião:
Este é um livro que comecei a ler sem quaisquer expectativas. Temia o pior, que se veio a confirmar quase desde a primeira página. Aviso: A primeira terça parte do livro é uma quase total ‘reciclagem’ do Twilight (Crepúsculo, de Stephenie Meyer), ou não fosse a nossa protagonista uma desajustada, com problemas em se envolver com a família; não tivéssemos nós que ser apresentados ao novo estudante transferido, Damen, que além de ser um ‘borracho’ é excelente nos estudos, nos desportos, nas artes, é emancipado, tem um bruto carro e … bem … faz magia!
Além dos clichés à lá Twilight, temos outros: a loira que é uma bully, a melhor amiga gótica e o melhor amigo homossexual.
Claro que nem tudo é ‘inoriginal’ (sim, sei que a palavra não existe) e a premissa de que a Ever consegue ver auras poderia ser um ponto a favor do livro, mas a verdade é que é apensa superficialmente tratado e dessa forma torna-se quase irrelevante. Também a recente perda familiar da Ever deu algum interesse à trama, mas sendo que ela estava mais preocupada com o Damen do que com a irmã e os pais, bem … digamos que não foi por aí que me fascinou.

Quem me segue no Goodreads, sabe que estive quase para largar o livro, antes mesmo de chegar ao meio. Os clichés eram tantos e a Ever era tão melodramática, que estava prestes a desistir, mas lá me forcei a continuar e a coisa ficou um pouquito melhor, mas não ficou boa.

Em termos de personagens, a Ever até consegue ser interessante, apesar de por vezes ser muito irritante, ela é decidida e quando descobriu o que o Damen era, teve o bom senso de se afastar. Gostei especialmente de quando ela encontrou uma ‘cura’ temporária para os seus poderes e se tornou uma viciada (no entanto acho que autora não usou isto da melhor forma). Só fiquei sem perceber a reacção dela para com a Ava, pois pareceu-me completamente descabida. Afinal mostrava mais animosidade para com a Ava do que, por exemplo, para com a Drina (o que não faz sentido nenhum). Outra coisa que acho que vai irritar qualquer pessoa, é o facto de a Ever passar a vida a dizer que a culpa do acidente é dela e a autora decidir só no fim do livro nos dizer porque ela achava que assim era (e mais uma vez, as desculpas foram esfarrapadas).
 O Damen é um Edward-wannabe, não necessariamente na personalidade, mas sim nas acções. A autora, no final, deu-nos explicações para todas as acções bizarras dele, mas a verdade é que soaram falsas, pretensiosas, nada mais que ‘desculpas’ para a autora brincar e gozar com o leitor. *SPOILER* Ainda estou para perceber como é que homens que viveram durante séculos, se comportam como adolescentes. *FIM DO SPOILER* 
As restantes personagens, à excepção da Riley (que é das personagens mais espontâneas de todo o livro), não deixaram marca, apesar de algumas delas mostrarem poder ser bastante interessantes, eram tratadas com um certo grau de ‘esterotipismo’, e desta forma perdiam-se. A Drina é possivelmente uma das vilãs mais clichés de sempre e o fim dela foi verdadeiramente patético (e não é bom sinal).

Quanto à escrita, esta é simples (por vezes até demais) e embora acessível, falta-lhe brilho e algo que realmente prenda o leitor que não seja estreante. As descrições da beleza das personagens, como não podia deixar de ser, é sempre um ponto alto, em contraste a descrição dos ambientes é quase nula (excepto no caso de Summerland, que já agora é um dos nomes mais chacha que já vi). Achei curiosa a forma como a autora nos fez pensar que o Damen era uma coisa, para no fim ele revelar ser algo um pouco diferente. No entanto, os ‘truques’ que ela usou para ‘iludir’ o leitor foram um pouco ‘baixos’ e senti-me quase que enganada. *SPOILER* Chupar o veneno directamente das veias, quando ele já estava no sistema circulatório já à dois dias, é golpe de mestre! (sarcamo-meter a rebentar) *FIM DO SPOILER*

Em suma, este é um livro que nem sequer chega a ser medíocre. Apenas não é totalmente mau porque foca alguns assuntos curiosos (como o alcoolismo, a co-dependência, a perda da família), mas ao mesmo tempo toca em tudo de forma tão superficial, que acaba por não deixar marca. Não aconselho o livro, pois não traz nada de novo ao género, os protagonistas não têm muito fascínio e as personagens secundárias também não. Caso venha a ler a sequela, será somente porque já tenho o livro (que me foi oferecido, tal como este), mas nem sei se o vou fazer porque não imagino a trama a melhorar (bem pelo contrário, com base na sinopse).

Capa (Veer / Marcel Steger):
Gosto dos relevos e o efeito geral da capa está engraçado. O simbolismo também está bem pensado, já que a tulipa vermelha tem um significado bem curioso, que é explicado no fim do livro (quem já o souber antes, pode adivinhar certas 'revelações').

Trailer português:

Nota: Li este livro em Inglês, daí não poder opinar sobre a tradução ou a edição portuguesa.
Nota 2: Este livro foi-me oferecido pela ACSilva. Obrigada!