Ora aqui está um mês que foi, decerto, estranho para todos.


Recebidos & Comprados

A título de exemplo da estranheza: a maioria do que recebo e adquiro vai para a morada dos meus pais. Como tal, o Absalom, Absalom! de William Faulkner, que tinha desconto jeitoso no Book Depository, está lá à minha espera. Por outro lado, A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia, de Selma Lagerlöf, foi um livro que chegou antes do caos, pelo que está cá comigo. Acredito que proporcione uma maravilhosa viagem, bem necessária nestes tempos.

Cada vez mais me faz sentido ler da estante e não comprar novos livros. As minhas estantes abundam de livros por ler (e, se tal não fosse o caso, teria imensos livros cuja releitura me traria prazer); não quero mobilizar uma mão cheia de gente para me fazer chegar um livro, colocando, assim, várias pessoas em risco. É portanto altamente provável que esta secção fique vazia nos próximos meses. A ver vamos.

Lidos

Consegui, apesar do óbvio (e de continuar a trabalhar, apenas a partir de casa - e recordo que leio maioritariamente nos transportes!), organizar as minhas leituras e dar vazão a alguns livros das estantes. Li, para o meu desafio dos clássicos, The Country Girls, de Edna O'Brien. Tive tempo para ler as suas duas sequelas (é uma trilogia): Girl with Green Eyes e Girls in their Married Bliss. Adianto, sobre os dois últimos, que toda a saga das jovens irlandesas vale muito a pena.

Para o projecto do João, #12meses12portugueses li, com atraso, o livro de Fevereiro, O Retrato de Ricardina, de Camilo Castelo Branco, o meu terceiro encontro com o autor. Consegui encaixar um muito curto Jorge Amado, com A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água e ler o livro do meu amigo Alex Couto, Nova Lisboa, que retrata uma Lisboa invadida por turistas e despejada dos seus autóctones (ironicamente, nos tempos que correm, Lisboa está vazia de todos).

Ler os Clássicos 2020

O tema de Março foi um clássico escrito por uma mulher. As participações foram vastas, não obstante a estranheza que se instalou. Eu li Edna O'Brien; outros leram:

O tema de Abril é possivelmente o mais simples de todos: um clássico traduzido. Isto, para alguns, significa apenas a exclusão dos clássicos lusófonos; para outros, significará ler um livro russo, alemão, espanhol, francês...

Como tal, não darei por aqui sugestões. Tudo o que for anterior a 1970 e lido em tradução será valido. Eu lerei As Mãos Sujas, de Jean-Paul Sartre (um título ironicamente adequado aos tempos que vivemos). Apesar de ler em francês, tenho este livro (originalmente publicado em 1948) em português.

(Como será óbvio, o encontro que eu tinha programado para Março não se proporcionou. Estou a tentar organizar um encontro virtual. Alguém se junta?)